Três Flamboyant (Delonix regia), com cerca de mais de 25 anos, foram alvo de uma poda autuada criminosa em um dos municípios, São Leopoldo,  que mais sofrem com questões climáticas, desde as enchentes do Rio Grande do Sul em 2024.  A ação resultou na notificação dos responsáveis, que por curiosidade segundo informações de vizinhos, tem formação em direito, profissional que deveria estar atento as leis ambientais e exercer exemplo social. Após fiscalização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente do município, agentes ainda receberam ofensas por proteger o meio ambiente.

Árvores tem papel em enchentes e questões climáticas

Foto: Reprodução internet

A Flamboyant é uma árvore exótica originária de Madagascar, reconhecida mundialmente pela sua floração exuberante. Com porte médio de 10 a 14 metros de altura, destaca-se por sua copa larga em forma de guarda-sol e flores de cor vermelho-intenso (ou laranja). É uma das árvores ornamentais mais presentes em áreas urbanas brasileiras e pode desempenhar um papel relevante na adaptação das cidades às mudanças climáticas, especialmente em contextos de aumento de temperatura e eventos extremos de chuva, como no município gaúcho São Leopoldo, que se consolidou nos últimos anos como um dos municípios mais afetados por eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul, especialmente no contexto das enchentes recentes que atingiram e os calores com máximas de até 47 graus, registrados em 2026, no Vale do Sinos.

O que diz a fiscalização

Momento que as árvores foram podadas criminosamente e perderam vitalidade. FOTO: Denúncia

Segundo a atual Secretária Municipal de Meio Ambiente (SEMMAM) de São Leopoldo, Claudia Pereira da Costa, não havia autorização para a realização da poda, uma vez que já estava vencido o pedido e o serviço executado desrespeitou as normas técnicas ao atingir a guia das árvores e provocar extensos danos aos galhos principais. Esse tipo de intervenção segundo Cláudia, compromete a vitalidade da planta, reduz sua capacidade de recuperação e diminui significativamente sua vida útil.

“Este caso de hoje, foi emitada autorização de poda no ano passado 2025, mas já estava vencida. E poda drástica como esta, não pode ser feita”, respondeu a secretária em entrevista ao jornalismo do IMJ.

Poda drástica e com autorização vencida FOTO: Denúncia

A irregularidade foi constatada pelo Chefe do Departamento de Monitoramento Ambiental, João Batista Chaves, que esteve no local e verificou que os cortes apresentavam  danos incompatíveis e irreperáveis com uma poda adequada. Conforme a fiscalização, a intervenção comprometeu a estrutura das árvores e pode dificultar seu crescimento futuro. Durante a ação, João também foi alvo de ofensas e deboches por parte de um dos envolvidos.

Em entrevista ao nosso site o Chefe do Departamento de Monitoramento Ambiental confirmou as ofensas e no momento da autuação precisou se posicionar.

“Sempre quando temos essas atuações, sempre gera alguma dificuldade de interpretação das pessoas sobre o nosso trabalho. Muitos querem comparar o erro deles com os outros. A gente tem uma firmeza nas posições e faz ver o que é certo e o que é errado. A questão de ofensa, a gente passa diariamente por isso. As pessoas não aceitam as abordagens ambientais dos fiscais e tentam se eximir das responsabilidades. Mas a gente tem essa convicção de fazer a coisa certa e faz eles reconhecerem também os seus erros. A gente passa praticamente todo dia, com situações dessas”, afirmou.

João Batista e Cláudia em Unidades de Conservação (UC) do município em fevereiro dem 2026. FOTO: Eduarda Toledo l Reprodução site Prefeitura São Leopoldo RS

As ofensas partiram de um dos responsáveis pela execução da poda das árvores, que desviou o foco da discussão ao questionar a presença de cães circulando pelas calçadas e a realização de necessidades fisiológicas no local. Durante a abordagem, também fez comentários de caráter pessoal, sugerindo que a pessoa deveria depender de auxílio do governo em vez de “dar trabalho” a quem realiza serviços de poda de árvores, deslocando o debate do tema ambiental para ataques de cunho ofensivo e descontextualizado.

Rio Grande do Sul segue atento as questões climáticas

O caso chama atenção em um momento especialmente sensível para São Leopoldo, uma das cidades mais atingidas pelas enchentes históricas que devastaram o Rio Grande do Sul, que somente o municipio afetou mais de 188 mil pessoas. Em um cenário de eventos climáticos extremos, as árvores urbanas desempenham papel fundamental na redução das ilhas de calor, na retenção da água da chuva, na melhoria da qualidade do ar e na preservação da biodiversidade.

João Batista reforça, “Fizemos uma atuação muito forte nessa última catástrofe que teve em 2024. A gente já faz parte da contingência ambiental do município e se programa para essas situações, inclusive para variações do tempo. Estou há 20 anos na prefeitura, atuando na área ambiental, e faço isso com muito prazer, porque é algo que eu amo, especialmente na preservação ambiental do município e do planeta”, afirmou.

A preocupação é pesquisada e os dados nacionais recentes apontam que o Brasil registrou mais de 160 mil denúncias relacionadas a crimes ambientais entre 2023 e 2026, incluindo infrações contra a flora, a fauna e casos de poluição. Os crimes contra a vegetação somam mais de 67 mil ocorrências no período, demonstrando a dimensão do desafio enfrentado pelos órgãos de fiscalização ambiental.

A secretária do Meio Ambiente do Municipio, alerta que podas drásticas e realizadas sem observância dos critérios técnicos podem causar danos irreversíveis às árvores.

“A fiscalização ambiental é fundamental para garantir a preservação da arborização urbana e a segurança da população. Orientamos que toda poda de árvores seja previamente solicitada à Secretaria Municipal do Meio Ambiente, para que seja realizada uma avaliação técnica e emitida a devida autorização. Também é importante que a poda seja executada exatamente conforme autorizado, evitando danos às árvores e riscos futuros. A participação da comunidade é essencial, tanto buscando orientação antes de qualquer intervenção quanto comunicando situações irregulares”, concluiu Cláudia.