A arte como forma de terapia

Luiza Esteves, Repórter  RJ
 
Enquanto uns cuidam do físico, outros cuidam do emocional: médicos lidam com o corpo e os terapeutas com o sentimento. Mas o que ocorre é que ainda existe muito preconceito em relação ao tratamento da saúde mental. Costuma-se pensar que a terapia é indicada apenas para casos em que a pessoa já está gravemente debilitada emocionalmente. Mas, na verdade, qualquer um pode e deve fazer um acompanhamento psicológico.
 
Não faz sentido sentir vergonha ou ter aversão em obter mais qualidade de vida e autonomia para a sua vida. Nesse sentido de fornecer bem-estar para as pessoas, várias formas de terapias são desenvolvidas. A arte terapia nada mais é do que trabalhar com a arte com objetivo terapêutico.
 
Costumam-se usar elementos da música, pintura, desenho, por exemplo, para que a pessoa possa expressar os seus sentimentos e desenvolver o autoconhecimento. Essa técnica pode ser muito útil quando uma pessoas tem dificuldade de se expressar por meio da fala e descobre a arte como um impulsionador para se sentir mais a vontade.
 
Camila Aguiar é psicóloga e arte terapeuta com pós graduação em Arte Terapia e Processos de criação. Atualmente ela realiza atendimentos clínicos individuais e também em grupos usando a arte terapia. Confira a entrevista na integra e entenda mais sobre essa área:
 
ENTREVISTA
 
Como está sendo trabalhar com a psicologia para você?
Resposta: Eu amo a minha profissão e acho que cada vez mais esse trabalho é necessário e urgente já que a gente vive uma crise de saúde mental no nosso país. As pessoas estão entrando em colapso com a nossa sociedade, que sempre visa essa questão de você precisar fazer tudo muito rápido, produzir mais do que o outro, estimulando a competição. Isso tudo acaba gerando muita ansiedade e estresse.
 
Muitas pessoas não se permitem fazer terapia, seja pela questão financeira ou por preconceito. Como é para você ter que lidar com isso?
Resposta: É um trabalho que as vezes não é reconhecido e as pessoas acabam não priorizando a terapia. A gente acabou de sair de um mês muito importante que foi o setembro amarelo, em que falamos sobre a prevenção do suicídio. Isso nos lembra como a saúde mental importa. Da mesma forma que procuramos um médico para cuidar de uma dor de cabeça, precisamos ir a terapia para cuidar dos nossos conflitos emocionais. Nós não devemos ter medo de procurar uma terapia, pois é uma forma de ter mais qualidade de vida e autonomia.
Porque você escolheu fazer pós em arte terapia?
Resposta: Desde cedo eu tenho uma relação muito forte com a arte, pois eu costumo, cantar, tocar violão e compor. Por conta disso foi muito natural pensar na música de uma forma terapêutica. A arte também explora os sentidos e nesse sentido busco trabalhar esse conceito durante a terapia. A música está ligada à audição, temos a argila e a massinha para estimular o tato, a água de cheiro com óleos essenciais eu uso para estar ligada ao olfato e a pintura tem relação com a visão.
 
Qual é a diferença entre a psicologia convencional e a arte terapia?
Resposta: A psicologia em geral se prende muito a uma linguagem mais verbal. Mas na arteterapia nós temos a arte e a música que possibilitam um novo canal de comunicação, pois vai muito além das palavras.
 
Como costuma ser o seu trabalho?
Resposta: Eu sigo a linha da psicologia Junguiana. Ela considera o inconsciente individual e o coletivo. Trabalho com duas vertentes: o atendimento em grupo e o individual. Já teve casos em que a pessoa começou com a terapia em grupo e depois foi para a particular. Fica a critério da pessoa se vai querer usar a arte ou não durante a terapia. Nem todo mundo tem disponibilidade, mas quando flui é incrível.
 
Como funcionam as sessões em grupo?
Resposta: Eu uso a arte para que as pessoas possam interagir mais. Na área da música eu levo os instrumentos e as pessoas podem tocar e criar algo. Eu componho e levo as minhas músicas para a oficina e convido as pessoas para cantar uma parte e interagir. Uso também muito com a questão da voz, porque eu faço contação de histórias. Eu gravo por áudio e levo.
 
Como você consegue fazer com que as pessoas interajam através da arte?
Resposta: Por exemplo, eu faço uma oficina de musicalização com arteterapia de crianças. Elas experimentam os sons dos instrumentos e depois elas fazem pinturas e colagens. A música é geralmente o que disparador para a oficina. Ela toca o outro em um nível que a linguagem não consegue alcançar.
 
De que forma essas pessoas que você atende podem explorar o próprio potencial por meio da arte?
Resposta: Na criação musical a pessoa pode criar algo seu ou em conjunto com outro cliente. A partir dessa criação devemos buscar entender que tipo de som é esse, o que ele nos transmite e qual sentimento nos passa. Buscamos analisar qual foi o sentimento envolvido na criação da música e o que ela desperta no outro.

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3 comentários

  1. gostei muito do seu site, sempre volto para ver conteudo
    tão bem elaborado…

  2. gosto muito desse tipo de site, sempre compartilho!

  3. gostei de tudo no site, tudo bem explicado.

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