Documentário “Celas” é exibido na UFRGS e movimenta debate entre estudantes de Direito

O documentário Celas foi exibido na noite da última quinta-feira (9), às 19h, na Sala Redenção, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A atividade reuniu estudantes de Direito, da área da saúde e público geral para um cine-debate sobre sistema prisional, justiça e direitos humanos.

A sessão foi realizada em parceria com o Núcleo de Estudos de Gênero, Violência e Sexualidade da UFRGS, promovendo uma discussão interdisciplinar sobre os temas abordados no documentário.
Após a exibição, o debate contou com a presença da diretora da obra, a jornalista Letícia Fagundes, e teve como mediadora a professora de Direito Penal da UFRGS, Vanessa Chiare. A intermediação do encontro foi realizada pela advogada criminalista Renata Zanchi, que esteve na estreia na Defesensoria Pública do Ri

o Grande do Sul e apoiou na abertura de novos espaços a obra audiovisual brasileira.
Durante o debate, estudantes participaram ativamente com perguntas e reflexões, ampliando a discussão sobre o funcionamento do sistema prisional brasileiro, suas falhas estruturais aos trabalhadores e as presas e os impactos sociais das políticas penais. O diálogo também trouxe perspectivas da saúde sobre o encarceramento, evidenciando os efeitos psicológicos e físicos vividos por pessoas privadas de liberdade.

O documentário Celas propõe um olhar crítico sobre a realidade carcerária, dando visibilidade a histórias e contextos frequentemente invisibilizados de todo o sistema judicial e penal. A exibição na universidade reforça o papel do audiovisual como ferramenta de formação, sensibilização e questionamento, especialmente em espaços acadêmicos.

Mais do que uma sessão de cinema, o encontro se consolidou como um espaço de escuta, troca e construção coletiva de pensamento crítico entre diferentes áreas do conhecimento.
A exibição também evidenciou o interesse crescente de estudantes em compreender, para além da teoria, as dinâmicas reais do sistema prisional brasileiro. Em um ambiente acadêmico, onde muitas vezes o debate fica restrito ao campo jurídico, o contato com narrativas audiovisuais amplia a percepção sobre as complexidades sociais envolvidas no encarceramento.
Ao longo do encontro, surgiram questionamentos sobre o papel do Estado, os limites da punição e as possibilidades de transformação dentro de um sistema frequentemente marcado por desigualdades. A participação de alunos da área da saúde contribuiu para aprofundar a discussão sobre os impactos do cárcere na saúde mental e física da população privada de liberdade, trazendo uma abordagem multidisciplinar ao debate.

A troca entre diferentes áreas reforçou a importância de espaços como o cine-debate dentro da universidade, não apenas como atividade complementar, mas como ferramenta essencial na formação de profissionais mais críticos e conscientes da realidade social brasileira.
O encontro também destacou a relevância de iniciativas que aproximam o audiovisual do meio acadêmico, promovendo reflexão e incentivando a construção de olhares mais atentos às violações de direitos humanos ainda presentes no país.
Ao final, o cine-debate se consolidou como um espaço potente de reflexão coletiva, evidenciando a necessidade de ampliar discussões como essa dentro e fora do ambiente acadêmico, especialmente em um contexto em que temas relacionados a direitos humanos ainda enfrentam resistência e desinformação.

