Qual é o momento certo para empreender?

Por Monique Dutra- Rio de Janeiro

A crise pode ser uma oportunidade. A pandemia chegou, a economia desacelerou, o desemprego aumentou, e os brasileiros tiveram que buscar uma alternativa de renda. É justamente neste cenário que o empreendedorismo entra em ação. De acordo com um levantamento do Global Entrepreneurship Monitor, com o apoio do Sebrae, o Brasil deve atingir o maior nível de empreendedores iniciais dos últimos 20 anos, com cerca de 25% da população adulta envolvida na abertura de um novo negócio ou com um negócio de 3,5 anos e meio. Diante deste cenário e para ajudar nossos leitores, nós fomos conversar com a Thaís Mendes, diretora de RH da GTO RH, que optou pelo empreendedorismo em um momento de oportunidade.

Monique Dutra: Em que momento da sua vida você decidiu que estava na hora de empreender?
Thaís Mendes: Eu nunca sonhei, planejei ou desejei empreender. Eu sim sempre quis ter uma carreira onde eu pudesse influenciar decisões, criar, inovar, trazer um contexto diferenciado e com resultados expressivos. Mas de verdade, sempre achei que isso aconteceria num ambiente corporativo em uma grande multinacional e projetei meus estudos e carreira para ser uma executiva bem expressiva no mercado de trabalho.

Porém, quando você foca em atingir seus objetivos e grandes resultados, as oportunidades surgem e um dia surgiu uma oportunidade de empreender, multiplicando meu conhecimento através de consultoria, em consequência de resultados positivos que eu desenvolvi enquanto coordenadora de RH em uma empresa de Telecom.

Aí sim veio a decisão de empreender, pois eu tinha o convite, a oportunidade, mas também poderia dizer “não” e, tudo bem se isso acontecesse. Mas eu amo desafios e esse seria um enorme desafio na minha carreira profissional. Aí eu disse SIM pra um novo ciclo e temporada na minha vida profissional e desde então decidi e assumi o compromisso que continuaria engajada, entregando o meu melhor, porém para o meu próprio negócio, prometendo para mim mesma que não seria por dinheiro ou por conquista somente, mas por um propósito de, através da minha história profissional, encorajar, desenvolver, motivar e transformar a vida profissional de pessoas que querem viver esse crescimento.

MD: O que te levou a buscar esse caminho?
TM: A vontade de transformar a minha área de atuação em uma área que atua com propósito de agregar valores humanos que potencializam perfis profissionais, influenciando profissionais a trazerem valores comportamentais para sua vida e sendo exemplo por onde passam. Minha vontade de poder conscientizar os profissionais a ter condutas e comportamentos acima da média que os levarão a níveis e conquistas cada vez maiores gritavam em mim. Eu vejo tanto comportamento desmotivador, tantos valores errados, tantas pessoas reclamando dos empregos, terceirizando problemas, colocando a culpa da sua falta de resultado e desmotivação em outras pessoas (empresas, gestores, momento do mercado, dificuldades), se fazendo de vítimas, que a minha vontade era sacudir essas pessoas e mostrar que independente de qualquer coisa, a escolha é sua de fazer sua carreira ser bem sucedida; que é uma decisão sua ser um profissional diferenciado.

Meu grande objetivo de trilhar a carreira empreendedora é justamente querer ser esse exemplo de superação, de conquista, de resiliência, mostrando resultados positivos para encorajar quem decidiu ser um profissional de sucesso. E quando digo sucesso, não estou falando de conquistas materiais e financeiras, estou falando em realização profissional. Estar realizado e feliz independente se está vivendo uma temporada desgastante, difícil ou se está no seu melhor momento profissional. Sucesso profissional é estar feliz e amar que você faz e para onde isso te leva.

MD: Quais os desafios que você encontrou durante a sua jornada?
TM: São incontáveis, e de verdade, acho que serão infinitos! E quanto mais você cresce, maiores seus desafios. Hoje, quando avalio anos atrás, eu vejo que meus desafios do passado eram tão pequenos, tão fáceis, mas naquela época eu achava que eram gigantes. Hoje passo por desafios muito mais complexos, mas lido melhor com eles, pois os anos de experiência te fazem lidar muito melhor com cada um. Mas garanto, já passei por muita coisa, tanto negativa quanto desafios positivos e cada um deles faz parte da minha história de crescimento, cada um me alavancou, cada um me ensinou, cada um me tirou da minha zona de conforto, todos eles formam a minha
história e eu valorizo muito isso.

MD: Alguma mulher te inspirou a fazer o que realiza hoje?
TM: Pessoas me inspiraram… mas falando de mulheres algumas com certeza, cada uma na sua proporção… eu sou uma pessoa muito intencional em meus relacionamentos, porque acredito que eles te esticam e formam quem você é, se souber se conectar com pessoas certas que te incentivam a crescer. Eu observo muito as pessoas e suas condutas e, existiram e existem ainda mulheres que me inspiram em diversos aspectos: uma como você lida com situações adversas, outra como você se posiciona diante das pessoas, outra como você conduz conversas, até mesmo como você se veste…eu faço um conjunto de aspectos positivos de várias mulheres admiráveis, todas elas caminham comigo e fazem parte da minha vida de alguma forma. Mas confesso algo curioso: mulheres com comportamentos negativos também me ensinam o que eu nunca desejo que aconteça no meu comportamento e aprendo muito também com atitudes negativas a prestar atenção nas minhas atitudes que podem levar a ter comportamentos não aprovados. Esse é um dos maiores aprendizados: você também saber o que não deve fazer.

MD: Você acredita que o empreendedorismo seja um caminho para quem fez ficou desemprego no período da pandemia?
Thaís Mendes: Se for o propósito da pessoa, sim. Esse período pode ser um momento que te “dê um empurrãozinho”, já que você está em busca de algo novo. Mas se não tiver um propósito que impulsione, no primeiro obstáculo vai pensar em desistir. E o propósito não pode ser dinheiro, nem ter flexibilidade de horário ou não ter um chefe no cangote. Empreender nesse período não pode ser uma falta de opção para você (já
que não consigo me recolocar no mercado, vou empreender).

Empreender tem que ser uma escolha, porque não é fácil. Empreender não significa flexibilidade, liberdade. Empreender significa renunciar a muita coisa, ter dias difíceis, inícios de luta, momentos até de “humilhação” de pessoas que não acreditam que você pode ser um empreendedor de sucesso. Então, empreender não pode ser uma
opção porque você ficou desempregado. Já te adianto que não vai durar 1 ano o seu negócio (na primeira dificuldade você vai desistir). Empreender tem que ser uma escolha e, para escolher de acordo com seu propósito, você precisa escolher algo que você tenha paixão.

E como avaliar isso? Se pergunte: o dia que tudo der errado, o dia que eu tiver um grande problema, quando eu ficar meses sem receber nada por isso, ainda estarei feliz e motivado em continuar no meu propósito?

MD: Diante desse cenário desafiador (pandemia), muitas pessoas ficaram disponíveis no
mercado de trabalho. Você poderia dar três ou mais orientações para essas pessoas?
Thaís Mendes: 1- Aproveite esse período e faça uma autoavaliação. Na sua opinião, o que ocorreu para você estar disponível no mercado? O que você acha que as pessoas acham de você enquanto profissional? Quais foram os seus últimos resultados expressivos que te levaram ser um profissional de destaque por onde você passou nos últimos 2 anos? Qual legado que você deixou na empresa que estava atuando? Quantas pessoas foram desligadas da empresa junto com você? Se você tiver respostas positivas e de sucesso, ótimo! Significa que realmente ocorreu uma movimentação não favorável pelo momento que estamos vivendo.

Mas, se você não tem repostas ou elas não são tão positivas, ainda temos tempo para mudar! Use isso como aprendizado e tente fazer melhor e diferente. Leia sobre assuntos que talvez você tenha falado, peça feedbacks de pessoas que você sabe que serão verdadeiras com você e recomece! Volte melhor, volte refletindo e mudando.
Mas uma dica: não se autossabote nas suas respostas. Você enganará você mesmo. Aproveite e avalie o mais profundo em você.

2 – Seja intencional em seus relacionamentos – Use esse tempo para se aproximar de pessoas que te influenciam positivamente, pessoas que vão te ajudar a sair de uma zona de conforto (mesmo que você não esteja nela), te esticando para um nível cada vez maior. Cerque-se de pessoas que vão te confrontar, que vão te fazer crescer, que
vão te influenciar a atingir lugares maiores na sua carreira. Seja intencional, converse com pessoas, fale do seu negócio, apresente soluções, tome cafés, uma boa conversa te abre diversas conexões e você vai montando sua rede de relacionamento. Mas pessoal, sem ser chato! Seja oportuno e legal! Nada de ficar entrando em assuntos indesejados. É para ser intencional e não interesseiro: existe uma grande diferença nesses dois comportamentos.

3 – Diga SIM todos os dias para você: se você pensa que o caminho do sucesso é lindo, acho que você precisa rever o seu conceito. O caminho é duro, penoso, trabalhoso e quando pensar em desistir e falar não, pense sempre no seu SIM, na sua escolha, no seu propósito, na sua paixão. Dizer SIM todos os dias vai te manter nessa jornada e seu
sucesso não está relacionado a resultados financeiros, isso será uma consequência, pois seu verdadeiro sucesso será a realização e a alegria de ver todo seu sonho acontecendo, sendo reconhecido por muita gente que duvidou da sua capacidade de tornar isso tudo real e provando pra você mesmo que você é sim capaz.

MD: Você pode compartilhar 3 dicas que foram úteis para o seu negócio?
Thaís Mendes: 1. Entender qual é o meu propósito – quando você tem um proposito bem definido, ele te leva para sua visão e, independente do que aconteça nos momentos mais difíceis, é ele que fará você seguir em frente. É ele que fará você levantar todas às vezes que você cair. Empreender não é saber cair, empreender é você saber se levantar todas as vezes que você cai e, quando seu propósito é bem definido, você só terá uma visão: atingir esse objetivo, independente do que aconteça. Recomeçar.

2. Fazer o que ninguém faz – e eu não digo coisas diferentes, eu digo, a mesma coisa de forma diferente. Estar acima da média, ser excelente, se atentar aos detalhes, entregar o que as pessoas não conseguem entregar por falta de foco, por falta de resiliência, por comodismo. Seja você esse empreendedor que se atenta aos detalhes, que atua com satisfação do seu cliente, que faz o que ninguém está disposto a fazer e pagar o preço.

3. Arrisque-se – eu sempre preferi tentar, mesmo se não desse certo, do que viver achando o que poderia ter acontecido se eu tentasse (viver na dúvida do “ e se…”). Sempre ande para frente, mesmo que sejam passos pequenos, mas vá, enfrente, conquiste, se arrisque. Porém se arrisque com equilíbrio, avaliando onde está indo e o que está fazendo. Não é para se jogar e agir na emoção, é para tentar, ousar e confiar nos seus planos. Mas lembre-se empreender é um negócio, então não dá para arriscar se aventurando, estamos falando de carreira, de negócios e não de tentativas sem preparo.

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