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Giselle Cunha, Jornalista -SP

giselle.cunha@mulheresjornalistas.com

Chefe de Reportagem: Juliana Mônaco, Jornalista

Editora Chefe: Letícia Fagundes, Jornalista

Benefícios, alimentos não indicados, quantidade e outras dúvidas sobre essa nova rotina de alimentação cada vez mais popular

Falar sobre alimentação natural, até hoje, gera muita polêmica. Cada vez mais, observamos tutores fazendo essa migração alimentar para seus Pets, mas junto a esse crescimento, foi observado também uma série de rotinas alimentares com déficit de nutrientes que são essenciais para a saúde e o bem-estar do animalzinho.

É importante destacar a necessidade de elaborar um cardápio pensado especialmente nas necessidades e restrições dos peludos, pois a absorção e digestão dos alimentos ocorre de maneira diferenciada do nosso organismo. Existem, no mercado, empresas que oferecem esse serviço pronto e congelado para atender aquele público sem disponibilidade para cozinhar. Verifique sempre se consta o selo de inspeção (estadual/federal) nesses alimentos. Também existem cursos que dão uma introdução e dicas para tutores que desejam seguir essa linha da AN.

Foto: Reprodução/Acervo dos entrevistados

Gisela Viana explica como sua cadelinha da raça shihtzu, chamada Venus, se adaptou à alimentação natural após desenvolver pedras na vesícula.

“A Venus se alimentou por 10 anos com as rações tradicionais (industrializadas), duas vezes ao dia, mas nunca apresentou um apetite satisfatório. Atualmente, Venus está com 11 anos e, há uns 2 anos atrás, ela começou a apresentar episódios de vômitos constantes. Após fazer alguns exames, foi constatado que ela estava com várias pedras na vesícula. A doutora que a atendia na época, uma médica veterinária endocrinologista, nos indicou fazermos uma operação para a retirada dessas pedras, assim como nós humanos fazemos, porém nos explicou que, para os animais, essa retirada é muito mais invasiva e alguns fatores pós-operatórios também são mais complexos.

Foto: Reprodução/Acervo dos entrevistados

Ao conversar com meu marido, optamos por ouvir uma segunda opinião. Esse outro profissional, por sua vez, optou por tratar com medicamentos e mudar a alimentação devido à idade avançada, pois também é um fator que influencia nesse problema de saúde. Foi então que conhecemos a dra. Daniela Kasai, que fez uma análise em todo o histórico e nos exames que havíamos realizado.A partir daí, introduzimos a alimentação natural para a Venus junto aos medicamentos.

A mudança foi impressionante! Além da alimentação, a dra. Daniela também nos indicou uma suplementação em pó. Já de cara, Venus devorou a comida e até hoje come o potinho completo com a maior satisfação. Os vômitos encerraram, o intestino funciona perfeitamente e ela não sente mais desconfortos abdominais.

Nesses quase dois anos, não houve aumento ou evolução das pedras, e até mais energia para brincar ela apresentou. Periodicamente, fazemos os exames para acompanhamento e, de acordo com os resultados, a dra. Daniela adapta e altera a dieta. Me arrependo profundamente de não ter iniciado esse tipo de alimentação desde que ela era filhote, mas é importante reforçar a importância e a necessidade de haver um acompanhamento profissional especializado para conduzirmos da maneira correta todo esse processo”.

Assim como nós, o correto é que os animais passem por consultas e exames de rotina periodicamente, sem esquecer das aplicações de vacinas que fazem parte do calendário anual deles.

Para a mudança alimentar, não é diferente. Existem médicos veterinários com especialização em nutrição que não só montam esse cardápio, mas também fazem o acompanhamento do animal na nova rotina.

Foto: Reprodução/Acervo dos entrevistados

O Mulheres Jornalistas entrevistou a dra.Daniela Moury Kasai, que atua na área de nutrição desde 2015, além de oferecer diversas opções de terapias voltadas exclusivamente para animais.

Mulheres jornalistas (MJ): Porque escolher a alimentação natural?

Dra. Daniela Kasai: Por ser mais saudável, mais saborosa,mais úmida (assim auxilia o trato urinário), sem conservantes e por ser a alimentação mais próxima dos seus ancestrais.Ainda podemos personalizar a dieta de acordo com cada necessidade do paciente, principalmente animais que têm mais de uma doença, além de sabermos o que estamos oferecendo para os nossos animais.

 

MJ: Quais os alimentos proibidos para os pets?

Dra. Daniela Kasai: Os alimentos proibidos são uva (com ou sem semente), uva passa, carambola, cebola, cebolinha, macadâmia, chocolate, xilitol, açaí, semente de maçã e pêra.

 

MJ: A dieta para os gatos é diferenciada?

Dra. Daniela Kasai: Sim, pois a fisiologia e as necessidades nutricionais são diferentesdas dos cães.

 

MJ: Como introduzir o sal nessa rotina alimentar?

 

Dra. Daniela Kasai: O sal é muito importante na dieta,pois ele regula a pressão arterial, equilibra os sais minerais, entre outras funções. Depende de cada dieta para calcularmos a quantidade necessária.

 

MJ: Qual a quantidade de alimento ideal por dia?

Dra. Daniela Kasai: A quantidade de comida por dia não é igual receita de bolo, vai depender de cada fator como peso, se o animal é castrado ou não, se está saudável ou com alguma doença, se é obeso ou não, a idade, a frequência de atividade física, entre outras questões.

 

MJ: No caso de filhotes, quais os cuidados são necessários na hora de elaborar a dieta?

Dra. Daniela Kasai-Nas dietas para filhotes, precisamos fazer uma suplementação adequada de vitaminas, minerais e, principalmente, cálcio por estarem em fase de crescimento. É uma fase muito importante e precisa ser acompanhada pelo profissional que está fazendo esse planejamento alimentar a cada 20 ou 30 dias (depende de cada profissional), até a sua vida adulta para ajuste da dieta e da suplementação.

 

MJ: Porque é importante adicionar à AN uma suplementação alimentar?

Dra. Daniela Kasai: Na dieta natural, é extremamente importante a suplementação, porque só a comida não oferece todos os nutrientes necessários como o cálcio, algumas vitaminas e minerais.

MJ: Como fazer a substituição para Pets que apresentam intolerância à proteína animal?

Dra. Daniela Kasai: Primeiro, precisamos fazer uma dieta específica para descobrirmos se realmente o animal tem essa intolerância. Caso ele realmente tenha, é preciso saber quais são exatamente e depois planejar a dieta com os alimentos que são tolerados pelo animal. Particularmente, não peguei um caso tão extremo até hoje, mas sabemos que não é impossível.