Projeto Autor Presente leva jornalista investigativa e oficinas sobre enchentes à Escola Villa Lobos

A reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes históricas passa também pela educação. E foi justamente com o objetivo de fortalecer a leitura crítica da informação e ampliar o debate sobre questões climáticas que a jornalista investigativa Letícia Fagundes, do Instituto Mulheres Jornalistas, esteve na Escola Estadual Villa Lobos, em São Leopoldo, através do Projeto Autor Presente 2026.
Criado em 1972 pelo Instituto Estadual do Livro (IEL), vinculado à Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac), o projeto promove encontros entre estudantes, autores e mediadores de leitura em escolas públicas estaduais. Em 2026, a iniciativa passou a contar com execução técnica do Instituto Quindim, responsável pela coordenação pedagógica e operacional das atividades, com foco também em sustentabilidade, cultura da paz, memória afetiva e protagonismo social.
A Coordenadora de Projetos do Instituto de Leitura Quindim, Priscila Weber, ressaltou que a presença de profissionais de diferentes áreas nas escolas amplia o repertório dos alunos e fortalece experiências de aprendizado mais humanas e participativas.

“O autor presente é um projeto do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, em que o Instituto de Leitura Quindim é um parceiro técnico e ele nos orgulha muito por poder levar artistas como a Letícia Fagundes, as escolas estaduais, artistas contadores de histórias, mediadores de leitura, autores e livros para todos os estudantes, e num momento como esse em que as telas tomam conta da vida dos estudantes, de todas as pessoas, ele se torna um projeto ainda mais potente e muito necessário. A gente deseja vida longa a esse projeto e que a gente possa levar muito mais artistas para dentro das escolas”, afimou Priscila Weber.
Uma das escolas escolhidas para o Projeto Autor Presente

A Escola Villa Lobos, uma das instituições atingidas pelas enchentes no Estado, recebeu a atividade com 27 alunos do ensino fundamental. Durante a oficina, os estudantes participaram de dinâmicas práticas sobre checagem de informações, leitura crítica de notícias e estratégias de sobrevivência em situações de emergência climática.
Mais do que uma palestra, a atividade propôs experiências interativas. Em uma das dinâmicas, os alunos precisavam identificar se determinadas notícias eram verdadeiras ou falsas. Em outra, os grupos simulavam famílias em situação de enchente e tinham que decidir rapidamente quais objetos levariam antes de deixar suas casas.
Documentos? Remédios? Comida? Celular? Animais de estimação?
As escolhas provocaram discussões sobre vulnerabilidade social, desigualdade e acesso à informação durante tragédias climáticas.
Jornalista investigativa é escolhida
Segundo Letícia Fagundes, o jornalismo precisa ser compreendido pelas novas gerações como ferramenta essencial de cidadania.
“O jornalismo é a ciência da informação. Precisamos urgentemente ensinar adolescentes a entender o que eles consomem, quem está escrevendo, se é um jornalista com formação, qual a data, o local. Tudo isso faz muito sentido para eles. Essa geração não se importa apenas com o veículo, mas quer saber se quem está por trás está fazendo a informação correta.”

A jornalista também relatou aos estudantes situações reais vividas durante as enchentes no Rio Grande do Sul, incluindo relatos de comunidades em vulnerabilidade social onde os alertas chegaram através do chamado “carro do ovo”, veículos de som improvisados que circulavam avisando sobre o avanço da água.
“Uma das reclamações de adolescentes é que a informação das enchentes vinha no famoso ‘carro do ovo’. Muitas famílias ficaram em dúvida se realmente deveriam sair de casa. O trabalho do Instituto Quindim de nos levar até às escolas é magnífico justamente por isso. Eu consigo ensinar algo que talvez eles possam ensinar aos pais, irmãos e avós. Também aprendi com eles e foi divertida as dinâmicas”, afirmou.
Para além da cultura local
Além da realidade gaúcha, a oficina da jornalista ampliou o olhar dos estudantes para outras regiões do país. Questões como a seca no Nordeste brasileiro também foram abordadas, promovendo uma reflexão multicultural sobre os impactos climáticos no Brasil.

Um dos momentos que também despertou a atenção dos alunos foi a participação em vídeo da paraibana Monique Dantas, com formação em Psicanalista e Assistência Social, que apresentou a realidade enfrentada por comunidades nordestinas afetadas pela seca.
“De grande valia trocar conhecimento com crianças acerca das questões climáticas. Como paraibana, participei de um projeto nessa área e em poucas palavras, pude compartilhar como lidamos com a seca e o calor que, por longos períodos, acompanharam nossa realidade.

Falar sobre clima também é falar sobre vivências, adaptação, cuidado coletivo e consciência social e ambiental”, destacou Monique, que após receber em vídeo a reação dos alunos, ficou emocionada.
A oficina também contou com a exibição da música Súplica Cearense, na voz de Marcelo Falcão, da banda O Rappa, conhecida pela forte crítica social e pelo apelo humano diante da seca nordestina. A canção abriu espaço para debates sobre fé, política, abandono social e os impactos emocionais causados pelos extremos climáticos.
Professoras falam do Projeto Autor Presente
Participativos e atentos, os alunos compartilharam experiências, opiniões e percepções sobre as enchentes que atingiram suas comunidades. Para a equipe pedagógica da escola, a proposta trouxe um diferencial importante ao aproximar educação, comunicação e realidade social.

A vice-diretora e supervisora da Escola Villa Lobos, professora Natália Vieira de Souza Silva, destacou a importância da iniciativa.
“A mediação de leitura, conduzida pela mediadora Jornalista Letícia Fagundes é fundamental para enriquecer o desenvolvimento da leitura e escrita dos estudantes da Escola Estadual de Ensino Médio Villa Lobos. Essa prática possibilita uma construção de conhecimento significativa, conectando o aprendizado à realidade dos estudantes”, concluiu.
Oficinas para sua escola e empresa
Além da produção de reportagens e conteúdos jornalísticos, o Instituto Mulheres Jornalistas também desenvolve oficinas e mediações de leitura em escolas, comunidades e projetos sociais, abordando temas como mudanças climáticas, educação midiática, direitos humanos e combate à desinformação.
As atividades buscam aproximar o jornalismo da população de forma acessível, crítica e educativa, especialmente em territórios vulneráveis e espaços de formação de jovens.
Instituições, escolas e comunidades interessadas em receber oficinas ou desenvolver parcerias podem entrar em contato pelo e-mail: soumulheresjornalistas@gmail.com


