Mercado de trabalho para PCD ainda tem muito o que melhorar

Luiza Pinheiro, Repórter RJ
 
 
Comemorado em 3 de dezembro, o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (PCD) nos lembra todo ano que há muito a se aprimorar no auxílio para essas pessoas. Um dos pontos mais importantes e com dificuldade de elas prosperarem é o mercado de trabalho.
 
Apesar de as leis de 1991 e de 2015 terem ajudado e assegurado os direitos das PCD, não são todas os lugares que os cumprem ou se fazem isso, o fazem de forma incompleta. Muitos profissionais das empresas não são habilitados para receber e incluir essas pessoas da maneira certa.
 
De acordo com a “Lei das Cotas”, de 1991, as companhias que tiverem mais de cem funcionários são obrigadas a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência. Em 2015, foi instaurada a Lei 13.146/05, chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência, criada para assegurar a igualdade de direito às PCDs.
 
O último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, mostra que o Brasil possui mais de 45,6 milhões de PCDs. Desse total, quase nove milhões de pessoas, entre 18 e 64 anos, possuem deficiências mais severas, mas isso não é correspondido na legislação, já que apenas 756,1 mil vagas são reservadas por lei para pessoas com deficiência e reabilitados, segundo o site da Secretaria do Trabalho.
 
Já de acordo com outra pesquisa do IBGE, de 2014, mulheres desse grupo têm maior dificuldade de inserção no mercado de trabalho do que os homens. A participação de PCDs, com idade de 16 a 64 anos, na população economicamente ativa era de 56,4% entre os homens e 43,1% entre as mulheres.
 
O assessor parlamentar Fernando Melo nasceu ouvinte, mas aos nove meses de idade ficou doente e precisou tomar um remédio receitado pelo médico. Só que era alérgico e, como consequência, ficou surdo. Ele conta que seu primeiro emprego foi em uma área diferente da qual atua hoje em dia e que a equipe de Recursos Humanos o ajudou bastante. No entanto, os obstáculos existiram.
 
”No começo, tive dificuldades para aprender novas palavras, novos ambientes de trabalho e fazer as pessoas entenderem que sou surdo e não mudo, duas coisas diferentes, mas que a maioria das pessoas acha que é igual”, relata.
 
A nutricionista Camila Santos Robles possui uma doença neuromuscular chamada Charcot Marie Tooth, que causa problemas de mobilidade devido à atrofia dos músculos das extremidades do corpo. Ela conta que durante o período em que fez estágio, frequentou locais que não tinham rampa, elevadores, nem banheiros adaptados. “Muitos lugares, infelizmente, não tem suporte adequado a quem tem alguma limitação”, lamenta.
 
Atualmente ela é residente na área de saúde da família, trabalha com uma equipe multiprofissional e está satisfeita com o que faz. No entanto, afirma sentir medo do futuro, pois não sabe como será sua carreira mais para frente e se vai conseguir ter a autonomia que deseja. Camila acredita que é necessária uma regulação maior para que as leis brasileiras para PCD sejam cumpridas totalmente.
 
“Muitos locais se denominam como acessíveis, porém isso não ocorre na prática. Ainda há falta de preparo dos demais profissionais para incluir melhor as PCD e de infraestrutura para dar autonomia aos trabalhadores que necessitam de auxílio”, opina.

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