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Desafios das mulheres na pandemia

 

Por Letícia Fagundes- Rio Grande do Sul
leticia.fagundes@mulheresjornalistas.com

Os desafios da maternidade não chegaram nessa pandemia, mas muito antes. É muito bonito ver uma mulher profissional, autêntica, cheia de tarefas dando conta de tudo. O problema que não é verdade isso, a realidade dessa vida materna é dura e o que vemos é a poetização desses fatos nas costas das mulheres, até mesmo nessa pandemia. A mídia se preocupando na imagem daquela mulher falsa, que não existe, sempre dando conta de tudo, auto suficiente.

Além dos salários menores, das agressões físicas e psicológicas vividas muitas das vezes por aqueles que fazem juras de amor, estão milhares de centenas de brasileiras, sozinhas, lidando com tudo isso somado ao COVID19.

Enquanto as mulheres exercem a coragem, os homens parecem que receberam um tiro de dardo com anestésico e raríssimos os casos que se uniram em prol dessa luta feminina, ficam lá, paradinhos, vendo e ouvindo, como sempre no cômodo do seu elo de proteção social, o de não apoiar nem dentro e nem fora de casa. Sim, não são todos, mas pense em 10 homens de suas convivência que apoiam, de alguma forma, a luta feminina em menos de 5 minutos e depois comente aqui, pois queremos eles conosco PRA SOMAR.

Notaram como tem gente poetizando mãe amamentando, que deveria ser um momento de silêncio e paz, em meio a reuniões de home office nessa pandemia? Já notaram como há grupos e mais grupos, lotados de mulheres com queixas recorrentes e as políticas públicas do governo só funcionam se isso virar votos para ele depois? SOLIDARIEDADE, EMPATIA, EMPODERAMENTO, tudo isso funciona por vezes muito mais como marketing de empresa e marketing político, que propriamente a realidade. Já notou que quem menos tem é quem mais apoia? Refiro aos grupos de feministas pelo mundo, que são geralmente mulheres.

Precisamos refletir por que e pelo que lutamos! É moda, é fogo de palha, é passageiro? Em uma pesquisa inédita em março de 2020, da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) mostrou que quatro (39%) em cada dez lares da região metropolitana de São Paulo são comandados por mulheres.Elas sustentam filhos e netos, sem conjuguês, que são homens e ganham mais.

“Ah, mas estão sozinhas porque querem”, disse Maria, enquanto eu escrevia essa matéria. Infelizmente, não funciona tão simples assim. Os dados apontam que se estão sozinhas é por MEDO de entrar para estatísticas como a do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, onde aponta que 16 milhões de mulheres acima de 16 anos sofreram algum tipo de violência: 3% ao se divertir num bar, 8% no trabalho, 8% na internet, 29% na rua e 42% em casa. O número de agredidas fisicamente alcança quase cinco milhões de mulheres, uma média de 536 mulheres por hora em 2018; e 177 espancadas.

76% destas mulheres foram agredidas dentro de casa, por pessoas conhecidas. Ou seja, na pandemia cresceu os números porque elas ficaram mais expostas aos agressores nesta quarentena.

E se elas estão buscando alguém que apoie, como companheiro, os dados falam mais sobre a desigualdade das tarefas em casa com os filhos e a casa. Aliás, uma pesquisa do IBGE em 2019 demonstrou que as mulheres precisariam de um relógio de 29 horas e não de 24 horas para conseguir dar conta de tudo que têm em suas costas de atividades e ainda ganhar 20% menos que eles. Em 2011, homens com ensino superior ganhavam, em média, R$ 3.058, enquanto as mulheres com o mesmo nível de formação ganhavam, em média, R$ 1.865, o que representa uma diferença de salário de 63,98%.

Se para você há algo muito errado nisso e está se questionando como isso pode mudar, busque as políticas públicas de bolsas de estudos, procure incentivar outras mulheres que você conhece naquilo que você descobriu ser bom para você mesma, passe informação boa em frente para as mulheres. Há muito grupos na internet, no SUS apoio a proteção contra violência psicológica e física, com a Lei Maria da Penha. Tudo isso e mais um pouco é uma luta diária, feminina e que precisam de mais pessoas falando, mais pessoas FAZENDO NA PRÁTICA. Se não pode ir muito longe apoie uma mãe de alguma forma, seja com comida aos filhos, roupas, escutando a mesma, apoiar uns aos outros também pode virar estatística!

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