De baby boomer à millenials: desliga o celular na hora de jantar!

Como a tecnologia influenciou a mudança social, política, econômica e comportamental das gerações desde as duas Grandes Guerras

 

Por Regina Fiore Ribeiro- Repórter São Paulo

 

Adultos e crianças têm cada vez mais encarado o dilema do conflito de gerações que se instalou na maioria dos lares brasileiros. A diferença entre avós, pais e filhos parece um abismo e é caracterizado por um elemento que tem ganhado proporções essenciais na vida de todas as pessoas do século XXI: o avanço acelerado tecnologia que veio da globalização.

Nos últimos 80 anos, o avanço das inovações têm sido vertiginoso como nunca na história da humanidade foi. Saímos da invenção dos aviões, em 1906, que mudaram o curso da Segunda Guerra Mundial, para carros que se dirigem sozinhos por meio de Inteligência Artificial, mudando o curso do setor de serviços. A tecnologia só passou a ser prioridade da maioria das empresas privadas quando o setor percebeu que era possível criar nos consumidores uma dependência constante desses avanços e cobrar mais caro por eles ao mesmo tempo que incentiva outras empresas a economizarem em relação aos seus trabalhadores, o que pode ser contraditório já que os mesmos trabalhadores também são os consumidores.

Se o avanço da tecnologia e o investimento em inovação tem ditado comportamentos, é natural que as gerações passem a se diferenciar com cada vez mais velocidade. Enquanto a geração que está nascendo busca mais inovação do que jamais foi feito, as gerações anteriores correm contra o tempo para tentar acompanhar, sem deixar seus valores sólidos se tornarem tão voláteis quanto a nova rede social do momento.

As gerações e suas batalhas

Os baby boomers, pessoas nascidas entre 1945 e 1964, são assim chamados porque são filhos do boom das bombas ouvidas nas Primeira e Segunda Guerra MUndial. São adultos que cresceram em meio à escassez de um mundo que precisava ser completamente reconstruído. Por isso, o grande foco dos baby boomers era o trabalho, os recursos faltantes durante os anos de conflitos.

As mulheres entrarem no mercado de trabalho pela falta de homens para cumprirem as funções, já que muitos deles tinham sido mortos nas guerras. A tecnologia usada durante os anos mais difíceis da guerra começaram a se mostrar úteis para construir o mundo que elas mesmas ajudaram a destruir. Segundo dados da ONU, atualmente o mundo conta com 962 milhões de baby boomers.

Depois de bem estabilizada para aplicabilidades que causaram movimentos como o êxodo rural, novas revoluções industriais, o desenvolvimento das telecomunicações e as novas normas de trabalho, a tecnologia começou a fazer parte do dia a dia da geração seguinte, não apenas como utilidade do trabalho, mas comportamental. A vida nas cidades passou a fazer parte de mais de 50% da população brasileira, segundo o IBGE, o que colocou a tecnologia como centro de muitas funções.

 

A geração X, que nasceu a partir de 1965 e se encerra com os nascidos até 1984, já tinha a disponibilidade da perspectiva da globalização enquanto crescia, principalmente quem se encontrava nos países capitalistas, que não viveram restrições comerciais da Guerra Fria. Celulares e computadores começaram a aparecer em algumas casas, mas a grande maioria das famílias já usufruíam de luz elétrica e televisão a cores.

A tecnologia estava transportada diretamente para aspectos da vida que vão muito além do trabalho, mas também fazem parte da questão social e comportamental. A geração posterior, conhecida como Y, nasceu entre 1985 e 1999. São nativos digitais, que tratam a tecnologia com naturalidade e se adaptam tranquilamente as novidades oferecidas pela gigantes Google, Apple ou Amazon. Não enxergam a tecnologia como inimigas, mas percebem as transformações digital diretamente como potenciais inimigas, caso não haja consciência entre seu uso e se domínio. A mesma geração que tem encarado um novo movimento de precarização do trabalho, como o visto pela geração pós-baby boomers, por causa da tecnologia.

A geração Y ressignificou a tecnologia em seu dia a dia e é entusiasta dela, vendo com bons olhos toda aplicabilidade dela que pode trazer economia de tempo e dinheiro. É também vítima de governos eleitos por bots e fake news, exposta em sua intimidade sem consentimento, que tenta entender como se relacionar (inclusive amorosamente) em tempos de Instagram.

Os nativos a partir dos anos 2000, no entanto, foram além: são quase seres biônicos que têm o celular como extensão do próprio corpo e perderam o parâmetro tradicional do que é público e o que é privado porque essa membrana, que antigamente agia como um muro de concreto, se tornou permeável e flexível. O desenvolvimento da tecnologia nos colocou num patamar histórico: segundo o IBGE, o Brasil tem mais de 116 milhões de pessoas conectadas à internet, graças aos smartphones. O grande conflito de gerações se dá em momentos do dia a dia. Um momento na mesa de jantar, onde avós procuram receitas no Facebook, pais e mães compartilham fakenews pelo whatsapp e adolescentes editam fotos para aumentar os likes no Instagram.

A chegada da Inteligência Artificial promete, mais uma vez, mudar a relação das gerações com a tecnologia e, por consequência, alterar a interação entre si. A mudança vertiginosa indica mudanças não só no mercado de trabalho – um estudo da PwC de 2017 indica que até 2030 pelo menos 10 profissões já estarão extintas -, mas cada vez mais na questão comportamental da população mundial.

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