Alto valor calórico o acarajé pode fazer parte da dieta,
porém cuidado com os complementos

Por Jeane Abreu
jeane.abreu@mulheresjornalistas.com

Quitute símbolo da cultura baiana, o acarajé é um bolinho sagrado que esbanja sabores e gostos por diversos continentes.

 Feito com feijão fradinho e depois frito no azeite de dendê, essa iguaria nos remete a importância cultural do comer e sentir o ambiente de sociabilidade do continente africano. Prato típico da Bahia, essa deliciosa mistura deve ser consumida com moderação, por conta dos valores calóricos e nutrientes que acompanham.

 Segundo a Nutricionista clínica Leila Marques, se o acarajé não for consumido de forma correta, teremos surpresas nos exames de rotina. Ela afirma que o acarajé possui uma gordura hiper calórica como todo alimento que consumimos. Cada acarajé, soma-se uma estimativa de 322 calorias. “É bem variável os valores por conta dos recheios, o que de fato pesa é o azeite de dendê que se for reutilizado os valores calóricos aumentam mais ainda”, diz Leila Marques. A massa acompanha feijão fradinho sem casca, alho e cebola, o recheio vem com; camarão seco, vatapá, tomate, caruru e pimenta. 

 Por tanto é bom prestar atenção ao preparo e comer na medida certa, sem exageros. A receita trazida da África no período colonial, aonde as escravas iam para as ruas, vender numa espécie de tabuleiro as suas mercadorias, para garantir o sustento da família.

 A baiana de acarajé Sandra Silva, que trabalha a mais de 10 anos no Bairro de Nova Brasília, conta que muita coisa ainda lembra o período colonial.

 Em Salvador-Ba, as baianas de acarajé, costumam sentar-se à frente do tabuleiro vestidas com roupas nas cores do santo representativo da semana, saias rodadas, torços na cabeça, contas e bastante pulseiras. Sandra diz, que o quitute proporcionou a educação da filha dela Camilla Silva. “Com as vendas do quitute pago as minhas pequenas contas como: água, luz, internet, e a sobra faço o pagamento do boleto do meu primeiro veículo conquistado dessas vendas, onde Camilla usa para ir trabalhar”, afirma Sandra. A baiana complementa: “O acarajé é minha vida e não abro mão nunca desse quitute maravilhoso, comecei a vender em um momento muito difícil”.  

 Em contato com a Associação Nacional das Baianas de acarajé e mingau (ABAN), a coordenadora nacional Rita Santos, conta que são mais de 6 mil baianas de acarajé cadastradas na associação. Na Bahia temos 3.500 baianas, “Não existe um senso, o número de baianas cresce constantemente”, diz Rita Santos.  Segundo ela a especialidade gastronômica foi regulamentada em 2018, pelo Ministério do Trabalho. Rita também informa que cada uma dessas mulheres baianas se dispõe de uma taxa, para pagar no valor de R$12 reais, por mês. 

 Para as que esmeram entrar a taxa de cadastro é no valor de R$144 reais. Desses valores pagos a associação nacional das baianas de acarajé e mingau, as quituteiras têm o direito a diversos benefícios, como: patrimônio, cursos de culinárias, seguro saúde, administração, empreendedorismos, dentre outros que venham surgir.

Conforme as considerações de Rita Santos a associação das baianas estará com um curso de carga horária de 60 horas, somando -se a 15 dias, 3 semanas e 4 horas por dia, para todas as baianas que tiverem interesse em se escrever. Neste curso será abordados temas sobre violência contra mulheres, patrimônio e receita do quitute mais desejado dos baianos.  As interessadas devem entrar em contato com a Associação. Pelo telefone 071- 3322-9674 e procurar Edvaldo. 

 Por fim, a receita do quitute não tem segredos, o que vale é a forma como cada baiana recebe seus clientes no tabuleiro. 

 O bolinho de acarajé é mesmo um prato tradicional na cultura baiana, devemos consumir com cautela e moderação, assim não teremos surpresas futuras com a saúde.