Mulheres e pessoas pretas ou pardas são minorias na produção agropecuária 

Núcleo Feminino do Agronegócio promove discussão sobre temas relacionados a área
Por Clara Maria Lino –  Rio de Janeiro 

Uma das principais atividades que movimentam o Brasil, a agropecuária é considerada uma área de atuação que exige mais do que “trabalho” para mulheres e pessoas pretas e pardas.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou através do Censo Agro que ao todo mais de 946 mil mulheres trabalharam como produtoras deste setor.  O que corresponde a 19% do total e ultrapassa os 13% registrados em 2006, mas ainda segue sendo longe do ideal. Entre pretos e pardos essa disparidade é identificada por hectares, já que os índices entre produtores pretos ou pardos são semelhantes aos números da população brasileira divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).

Dos cinco milhões de produtores agrícolas do país em 2017, quase 53% eram pretos ou pardos e mais de 45% eram brancos, segundo o Censo da Agropecuária. Até cinco hectares são 65% contra mais de 32% de brancos. Entre cinco e 50 hectares a população branca já é maioria. Mais de 52% de brancos contra pouco mais de 46% de pretos ou pardos. De 50 a mil hectares, 57% são dirigidos por brancos e quase 42% por pretos ou pardos.

Entre os maiores proprietários de terra do país a assimetria triplica e quadruplica. Entre mil e 10 mil hectares a porcentagem de brancos corresponde mais do que o triplo comparada a de pretos ou pardos. São quase 75% contra apenas 24%. Na última posição da pesquisa, com mais de 10 mil hectares são quase 80% contra 19%. A Bahia é o estado com maior número de mulheres na direção de estabelecimento agropecuário, quase 304 mil. Segundo o Censo Agro 2017, das 946 mil já citadas no país, 817 mil dividem a direção do negócio com o marido.

Com o objetivo de unir as mulheres do setor, o Núcleo Feminino do Agronegócio (NFA) reune 21 produtoras rurais, criadoras e pecuaristas em São Paulo. Em entrevista para esta reportagem, a vice-presidente do NFA, Maria Cristina Tupinambá Bertelli relata que a associação é a primeira entre mulheres do Agronegócio que possui Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ): “Nossa missão é ajudar outras mulheres do agronegócio em seu negócio e em suas propriedades. Inspirar, educar, compartilhar é o nosso objetivo.”

A zootecnista diz que é apaixonada por está área profissional desde criança: “Meu Pai era pecuarista no interior de São Paulo, sou apaixonada por pecuária desde menina, me formei em Zootecnia e desde então sigo trabalhando com Agronegócio.” Para além disso, o NFA compartilha as experiências profissionais, desenvolve o potencial de liderança necessário para as produtoras do agronegócio, faz parceria com empresas privadas e públicas, promove palestras, workshops, debates sobre temas relacionados a esta área de atuação e muito mais.

Se você ficou interessada e quer saber mais informações sobre este núcleo, basta entrar na página do Facebook: Núcleo Feminino do Agronegócio.

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