Memorial da Televisão Aberta Brasileira comemora os 70 anos da TV

Por Giulia Ghigonetto-São Paulo
giulia.ghigonetto@mulheresjornalistas.com

Para celebrar os 70 anos da televisão, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) lançou o Memorial da Televisão Aberta Brasileira na última sexta-feira (27).

Em uma imersão virtual, o visitante pode navegar entre as sete décadas da televisão brasileira e ver 700 fotos, 28 vídeos e mais de mil itens que fizeram parte de cenários, estúdios e programas televisivos.

É possível estar ao lado de Assis Chateaubriand na inauguração da TV Tupi, visitar a Lua em 1969, ver a Taça Jules Rimet, ou entrar num reality-show. Ao final, uma sala apresenta a grande festa da TV.

“É muito importante para ABERT preservar a memória da TV aberta no Brasil. Como todo museu, ele vai estar sempre aberto para que a gente possa trazer novos vídeos, novas fotos e novos itens”, explicou Flávio Lara Resende, presidente da associação, em entrevista coletiva. 

Inclusive, nesta semana, o IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus), órgão ligado ao Ministério do Turismo, incluiu o Memorial no Cadastro Nacional de Museus (CNM), nos Sistemas Culturais (SNIIC/MinC) e no Registro dos Museus Ibero-Americanos do Programa Ibermuseus.

A exposição é mais uma iniciativa do TV ANO 70, projeto do Memória ABERT, comandado pelo jornalista e pesquisador Elmo Francfort, que fez a curadoria do evento com o Conselho Curatorial das TVs associadas, confecção artística da Caselúdico, empresa responsável por exposições com grande sucesso de público, e da After Hour Multimídia, que reuniu uma playlist resgatando registros importantes da memória televisiva nacional.

Um esforço em conjunto com as emissoras afiliadas como Band, SBT, Globo, CNT, Cultura, Gazeta, Jovem Pan e TV Brasil, e as entidades culturais MASP, MIS-SP e Associação Pró-TV, permitiu o acesso ao material de acervo, que ajudou a compor os cenários montados a partir de fotos. Também houve o apoio de cenógrafos da época com o intuito de reproduzir os ambientes de forma mais realista o possível. 

“Esse projeto é só um ponto de partida; a ideia é que ele cresça cada vez mais. Estamos abertos a parcerias e expansões, priorizando as redes e as pioneiras, mas com a possibilidade disso se transformar em algo cada vez maior valorizando também o regional. Afinal, a história da TV é a história de todos nós”, disse Francfort.

Mergulhando na TV

Ao clicar na década escolhida, o visitante encontra um texto de abertura, que fala um pouco sobre o espaço. Em seguida, se apresenta um cenário 360º, que conta com uma trilha sonora especial, correspondente à época, além de fotos e vídeos das atrações do período. 

Quem começa a visita pelos anos 50 encontra um cenário preto e branco, com referências a programas humorísticos, infantis e teleteatros. Nos anos 60 se destaca a inauguração de Brasília e a chegada do homem à lua. Nos anos 70, o que mais chama a atenção é a chegada da cor. Há a união de vários cenários, com personagens como Chacrinha e atrações como “Vila Sésamo”, a conquista do Tri na Copa do Mundo e novelas como “Gabriela”.

Na área dos anos 80, a nave da Xuxa se sobressai, ocupando o centro da exposição, rodeada por programas infantis, além de uma homenagem a Ayrton Senna, com o carro de corrida do piloto, e uma parede dedicada às telenovelas. Os anos 90 trazem uma mudança no design, inspirado na abertura da novela “Explode Coração”. Vale lembrar que é nessa década que aconteceram as primeiras gravações de novelas no Projac e a difusão da internet no Brasil. 

Nos anos 2000, o grande marco é a chegada do reality show, enquanto a inspiração para a sala dos 2010 foi tirada de uma grande festa, com uma brincadeira para que o público encontre personagens nesse espaço que se assemelha a uma pista de dança. Aqui, ao fundo, está uma imitação da aurora boreal nas cores da color bar (figura significativa na história da TV), representando algo infinito. 

Com o Memorial da Televisão Aberta Brasileira será possível conhecer ou reviver mais de 2 mil profissionais que contribuíram para a história da caixa mágica brasileira, inclusive daqueles que partiram recentemente como Gugu Liberato e Tom Veiga, o Louro José. 

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1 comentário

  1. Aqui é a Camila Dias, gostei muito do seu artigo tem muito
    conteúdo de valor parabéns.

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