Por Ana Carolina Resende Gomes, Repórter de Minas Gerais
 

De baderna, ‘mimimi’ ou vitimização à objeto de estudo. O feminismo ou a luta feminista vem ganhando força ao longo dos anos e aparatos que beneficiam esta causa e sua importância social. Um dos exemplos disso, foi a semana de Integração dos Institutos Federais que, abordando assuntos de relevância para a sociedade, encaixaram, também, em suas pautas, discussões feministas.

 

Em São João del-Rei, a mestranda da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) Aline Reis Serpa e a ex-aluna do IFET (São João) Joice Pilar de Carvalho Souza, ministraram um seminário que abordava o tema: “Girl Power: A trajetória do movimento feminista e suas implicações na sociedade contemporânea”. Ambas se envolveram com o tema no meio acadêmico, seja por meio do projeto do mestrado de Aline ou no campo literário para Joice, o que desencadeou a ideia para uma palestra, levando um conhecimento, por muitas vezes destorcido, à outras mulheres e homens que não conheciam o movimento.

 

Segundo Aline, “a palestra consistiu em uma abordagem resumida sobre a trajetória do movimento feminista e suas implicações na sociedade contemporânea. Pontuamos a primeira, segunda e terceira onda do feminismo; as lutas e conquistas das feministas. Nosso intuito foi informar as pessoas um pouco mais sobre esse movimento de tamanha importância e compartilhar experiências e conhecimento sobre o assunto”.

 

Ainda de acordo com a mestranda, a proposta também é quebrar o paradigma de um movimento que visa quebrar a harmonia social. “Ainda existe uma visão deturpada do movimento feminista por muitas pessoas, que imaginam as feministas somente como mulheres rebeldes que não se encaixam na norma padrão da sociedade. Vistas muitas vezes como praticantes de vandalismo e desrespeitosas. As mulheres muitas vezes tiveram que praticar algum ato de rebeldia para terem suas vozes ouvidas sim, mas nem tudo foi assim. Movimentos pacíficos também garantiram os direitos que as mulheres possuem hoje em dia e que foram conquistados no passado”.

 

No entanto, apesar de todas as batalhas vencidas pelas mulheres na luta por direitos, ainda há muito que se conquistar. Para Joice “a história dos movimentos feministas está sendo construída”. Segundo a palestrante e professora “O que falta ser trabalhado e ensinado sobre esse movimento é a não generalização, pois, nós mulheres partilhamos de necessidades básicas em comum, por exemplo, necessitamos de mais segurança nas ruas, nos indignamos com aumento de casos de feminicídio no país e aguardamos por uma possível solução. Há mulheres que optaram em não ter filhos e também há mulheres que sonham em ser mães, isso é algo que não deve ser generalizado, pois cada mulher possui uma história, uma experiência de vida, entre lutas, frustrações e conquistas e não devemos julgar umas às outras pela diferença, a intenção do movimento feminista é construir a união das mulheres”.