O Estado escolhe quem vive?: Mãe de Davi Silva dá entrevista

Reportagem e investigação com os jornalistas: André Silva e Letícia Fagundes
Em Ananindeua (PA), a morte de Davi Silva, um adolescente de 16 anos, em uma abordagem policial em outubro de 2023 segue mobilizando familiares, movimentos de direitos humanos e a própria comunidade escolar. O caso ganhou repercussão nacional após uma série de denúncias sobre a forma como a ação foi conduzida e a ausência de respostas claras por parte das autoridades responsáveis pela investigação.
O Instituto Mulheres Jornalistas (IMJ) entrevistou com exclusividade Sueidy Marília, mãe de Davi, em uma conversa profunda conduzida pelo jornalista André Silva. Sueidy tem se tornado uma voz ativa na luta contra a violência policial e pela responsabilização dos agentes envolvidos e usa suas redes sociais, como o Instagram (@sueidymarilia), para clamar por justiça e denunciar a impunidade que, segundo ela, cerca a morte do filho.
Naquele dia de outubro, Davi havia saído de uma sorveteria onde trabalhava e se deslocava para casa em mototáxi quando foi surpreendido por policiais militares. A família contestou publicamente a versão de que ele estivesse envolvido em um assalto e afirmou que não há imagens que comprovem a participação do jovem em qualquer crime.
Entrevista exclusiva
Bloco 1 – A dor que não passa e a vida depois da tragédia
Em conversa franca com o Instituto Mulheres Jornalistas, nosso jornalista André Silva iniciou a entrevista mergulhando no aspecto mais íntimo da perda. Ele perguntou a Sueidy Marília como ela vive emocionalmente anos após a morte de Davi, quais sentimentos ainda predominam em seu cotidiano e o que mudou na rotina da família desde aquele dia. Também quis saber se existe algo que ela sente falta de dizer algo que ninguém perguntou até hoje, mas que precisa ser ouvido.
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Bloco 2– Impunidade e naturalização da violência
Ao aprofundar a conversa, o jornalista André Silva tocou em um ponto sensível: a percepção de impunidade. Ele questionou se Sueidy acredita que exista uma cultura que naturaliza mortes de jovens de classes mais baixas em ações policiais e se, em algum momento, ela sentiu que o caso de seu filho foi tratado como algo “normal” dentro de uma rotina policial.
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Bloco 3– Desigualdade no tratamento policial
O jornlista André Silva também trouxe à entrevista comparações recentes que provocaram debate público. Ele perguntou a Sueidy como ela se sente ao observar que casos envolvendo jovens de classe média receberam tratamento policial considerado cuidadoso e respeitoso, e o que essa diferença de postura representa quando comparada ao que aconteceu com Davi.
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Bloco – A ferida que permanece
Encerrando a entrevista, o repórter fez uma pergunta direta e dolorosa: o que dói mais não se pode medir se é a perda irreparável do filho ou a sensação de que a vida dele pode ter sido considerada menos valiosa pelo Estado? A resposta, carregada de emoção, resume a dimensão humana e política dessa história.
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Desde o dia da tragédia, a morte de Davi tem sido investigada por diferentes instâncias, e a discussão sobre a letalidade policial no Pará um dos estados brasileiros com alto índice de mortes em intervenções policiais , volta a ganhar espaço no debate público.
Sueidy e seus aliados mantêm a campanha #JusticapeloDavi, que reúne relatos de apoio e pedidos de responsabilização pelos desdobramentos da ação policial. Em uma de suas postagens mais duras, ela afirmou que não há sangue derramado nem dor suficiente que a faça desistir de lutar pelo filho e que cada vez mais vê sua missão como parte de algo maior: a busca por mudanças no sistema de segurança pública.
O Instituto Mulheres Jornalistas seguirá acompanhando o caso e dando voz não só à família de Davi, mas a todas as pessoas que enfrentam a dor e a indignação de perdas evitáveis em contextos de violência institucionalizada.

