O 42º Prêmio de Direitos Humanos de Jornalismo, realizado na noite desta quarta-feira, 10 de dezembro, no OAB/RS Cubo, reuniu jornalistas, defensores de direitos humanos, pesquisadores e representantes de instituições comprometidas com a preservação da memória histórica no Brasil. A edição deste ano trouxe como tema “O passado que não passa”, reforçando a urgência de revisitar e compreender as marcas deixadas pela ditadura militar e por outras violações de direitos que ainda ecoam no presente.

Mesa da cerimônia do 42º Prêmio de Direitos Humanos de Jornalismo

Durante a cerimônia, o fundador do prêmio, Jair Krischke, fez um discurso contundente sobre o papel da memória na proteção das liberdades democráticas.“É preciso fazer com que a sociedade tome consciência desse passado recente, que é a única forma de resguardarmos e consolidarmos a democracia . Costumo dizer que o único antídoto contra o autoritarismo é a memória e lamento que nosso país não tenha política públicas de memória, mas de esquecimento”, afirmou.

Fundador e presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH),Jair Krischke e a jornalista Letícia Fagundes

 

Jair Krischke é um dos nomes mais importantes da defesa dos direitos humanos no Brasil e na América do Sul, especialmente no combate às violações cometidas durante as ditaduras militares e fundador do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH). Reconhecido internacionalmente, atuou no resgate e proteção de perseguidos políticos durante as ditaduras do Cone Sul e é um dos principais pesquisadores da Operação Condor.

 

Este ano, mais de 300 trabalhos concorreram nas diversas categorias do prêmio, que é considerado um dos mais tradicionais e respeitados reconhecimentos do jornalismo brasileiro e LATAM na área de direitos humanos.

Carmen Alineri e Letícia Fagundes, seguram a Menção Honrosa da Obra “cELAS”

Entre os escolhidos da noite, o Instituto Mulheres Jornalistas (IMJ) foi um dos reconhecidos com o documentário “cELAS”, dirigido pela jornalista Letícia Fagundes, com a equipe de editores Vinícius Rodrigues e Carmen Alineri, recebeu Menção Honrosa na categoria documentário.

A obra investiga a realidade das mulheres privadas de liberdade no Rio Grande do Sul, expondo histórias que revelam desigualdades estruturais para trabalhadores e presas, violações de direitos e os desafios enfrentados dentro e fora do sistema prisional, como no sistema judiciário e social.

A premiação reconheceu “cELAS” pela sensibilidade narrativa, profundidade investigativa e compromisso em trazer à luz temas silenciados, características que marcaram a produção e destacaram o IMJ entre os concorrentes.

O evento reafirmou a função social do jornalismo e a importância de narrativas que confrontem a injustiça e preservem a memória coletiva como ferramenta de resistência democrática.