O Instituto Mulheres Jornalistas conquistou menção honrosa no 42º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo 2025 com o documentário cELAS, dirigido pela jornalista Letícia Fagundes e com montagem dos editores Vinícius Rodrigues e Carmen Alineri.

42º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo 2025

Para a jornalista que dirigiu, produziu e gravou durante seis meses a obra audiovisual, respeitar as histórias é essencial para contar de forma fiel.

Letícia Fagundes, diretora do documentário cELAS

“O público é sequestrado para consumir narrativas cheias de polêmicas em torno dessas pautas sobre cárcere. Dentro de um presídio feminino há todos os perfis, como no masculino, e minha primeira investigação era desmistificar o papel da mulher imaculada ou da superperigosa. Não é sobre quem é bom ou mau, não era sobre isso, mas sobre a população compreender como funciona um presídio feminino, em todas as vozes, inclusive de quem trabalha. Minha preocupação não era mostrar o mocinho e o bandido, mas dar informação ao público sobre como é complexo e o que é feito no dia a dia, sem trazer o enlatamento de ficção audiovisual, onde um super famoso de Hollywood aparece interpretando um prisioneiro e um policial”, concluiu a diretora.

A abordagem do Documentário premiado

Nome dos integrantes da equipe do DOC cELAS

Diferentemente das abordagens polêmicas e sensacionalistas que a mídia e muitas obras de ficção costumam adotar ao retratar o sistema prisional, cELAS constrói um olhar pedagógico, sensível e profundamente honesto sobre o encarceramento feminino.

O documentário não se limita a mostrar as vivências das mulheres privadas de liberdade embora elas sejam o eixo central da narrativa, mas amplia o foco para revelar as camadas invisíveis que sustentam o cotidiano do sistema penal.

Fontes da obra audiovisual

A obra evidencia as percepções, tensões, desafios e contradições enfrentadas por quem trabalha diariamente nesses bastidores: agentes penitenciárias, técnicas, psicólogas, pesquisadoras, servidoras, defensoras públicas, profissionais da saúde, gestoras e outras pessoas que constroem, com poucos recursos e muita resistência, a linha de frente do sistema judiciário e penitenciário.

DOC cELAS foi escolhido entre 20 obras da América Latina

Ao reunir essas vozes, cELAS mostra que compreender o encarceramento feminino vai muito além das grades. É entender também as pessoas que carregam esse sistema nas costas — e que, assim como as mulheres presas, também enfrentam silenciamentos, sobrecarga, invisibilidade e uma série de contradições estruturais.

 Nesta edição, o prêmio trouxe o tema “O passado que não passa”, reforçando a importância de narrativas que revisitam estruturas históricas de violência, desigualdade e negligência estatal na América do Sul. O Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo estimula, há décadas, trabalhos que denunciam violações e ampliam o debate sobre direitos humanos no continente.

A conquista marca mais um reconhecimento ao Instituto Mulheres Jornalistas, que concorreu ao lado de cerca de 20 documentários na categoria, reafirmando o compromisso do IMJ com uma comunicação responsável e com a defesa da dignidade humana.