O estudo KEYNOTE-689 é o primeiro com resultados positivos em mais de duas décadas para pacientes com carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço localmente avançado ressecado

 

São Paulo, julho de 2025 – O estudo KEYNOTE-689, apresentado na Reunião Anual da Associação Americana para Pesquisa do Câncer (AACR) e na Reunião Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), trouxe resultados inovadores que podem redefinir o tratamento do carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço (CECP) localmente avançado. Este ensaio clínico randomizado demonstrou que a adição do pembrolizumabe (KEYTRUDA) peri-operatório ao tratamento padrão resulta em uma melhora significativa na sobrevida livre de eventos (SLE) e resposta patológica maior para pacientes em estágios III e IV da doença.
Historicamente, o tratamento para CECP localmente avançado tem sido baseado em abordagens cirúrgicas seguidas de quimioterapia e radioterapia, com resultados frequentemente insatisfatórios e efeitos colaterais severos. O KEYNOTE-689, que envolveu mais de 700 pacientes, avaliou a eficácia do pembrolizumabe administrado como terapia neoadjuvante e adjuvante. Os resultados mostraram uma mediana de sobrevida livre de eventos (SLE) de 51,8 meses para o grupo que recebeu pembrolizumabe, em comparação com apenas 30,4 meses para aqueles que seguiram o tratamento padrão, e uma diferença de aproximadamente 10% vs 0% na resposta patológica maior.

 

Resultados

Após um acompanhamento mediano de 38,3 meses, os dados mostram que o tratamento com pembrolizumabe antes da cirurgia (neoadjuvante), então continuado em combinação com radioterapia padrão (com ou sem cisplatina) após a cirurgia seguido por pembrolizumabe sozinho (adjuvante), reduziu o risco de eventos de SLE em 27% na população geral, com uma redução ainda mais acentuada em subgrupos específicos:

  • População com CPS ≥ 10: A mediana da SLE foi de 59,7 meses no grupo que recebeu pembrolizumabe, em comparação com 26,9 meses no grupo de tratamento padrão.
  • População com CPS ≥ 1: A mediana da SLE foi de 59,7 meses para o grupo com pembrolizumabe, em comparação com 29,6 meses no grupo controle.
  • População com Intenção de Tratar (ITT): A mediana da SLE foi de 51,8 meses no grupo com pembrolizumabe versus 30,4 meses no grupo de tratamento padrão.

Além disso, o estudo demonstrou respostas patológicas significativas no tumor primário e nos linfonodos após a administração de pembrolizumabe, indicando uma ativação do sistema imunológico que pode alterar o microambiente tumoral de forma benéfica.
O perfil de segurança do pembrolizumabe foi considerado aceitável, com taxas de eventos adversos semelhantes entre os grupos de tratamento. Embora tenham sido observados mais eventos imunomediados no grupo que recebeu a nova terapia, estes foram, em geral, bem controlados. Os efeitos adversos mais comuns estavam relacionados à quimiorradioterapia, e não foram identificados novos sinais de segurança.

 

Futuro do Tratamento

Os resultados do KEYNOTE-689 não apenas estabelecem um novo padrão de cuidado, mas também abrem caminho para futuras investigações sobre a integração de terapias adicionais e a aplicação de imunoterapia em contextos cirúrgicos. Dr. Ravindra Uppaluri, um dos principais pesquisadores do estudo, enfatizou a importância desses resultados: “O padrão atual de tratamento foi estabelecido há mais de 20 anos e, apesar do tratamento multimodal, resultou em resultados abaixo do ideal. Os resultados do KEYNOTE-689 representam uma melhoria drástica em relação ao padrão atual de tratamento.”
A pesquisa contínua é vital para entender melhor como essas novas abordagens podem ser implementadas na prática clínica.
O estudo KEYNOTE-689 representa um marco significativo na luta contra o CECP, oferecendo esperança renovada para pacientes e profissionais de saúde. À medida que a pesquisa avança, a expectativa é que novas estratégias de tratamento possam melhorar ainda mais os resultados e a qualidade de vida dos pacientes afetados por essa condição.