Luiza Esteves
Repórter Mulheres Jornalistas – RJ
 
Neste último sábado (11), o Estádio de Atletismo Célio de Barros foi palco de um evento aberto que contou com a presença do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, além do secretário de Esportes, Lazer e Juventude, Felipe Bornier. O objetivo do evento foi mostrar algumas ações feitas para a revitalização do espaço, como a recuperação da pista de aquecimento de 100 metros e da arquibancada de 115 lugares.
 
O espaço se encontrava até dias atrás devastado, com entulhos, caminhões e nenhum vestígio da pista de corrida. Desde 2010 o local estava interditado por conta das obras do entorno e apenas foi usado como estacionamento durante a reabertura do Maracanã.
 
Esse cenário de abandono pode ser compreendido quando analisamos os interesses que envolviam o uso do terreno. Em janeiro de 2019, um projeto elaborado pela Odebrecht, concessionária que administrava o Maracanã, previu a demolição total do estádio de atletismo Célio de Barros para a construção de um shopping e hotel.
Inúmeros protestos contra a demolição da pista de corrida foram realizados, atletas se envolveram na causa, mas não foi possível impedir a destruição do local que marcou a história do atletismo. A reconstrução do Célio de Barros está sendo uma tentativa de recuperar os erros da empresa, mas se analisarmos o histórico das obras do Maracanã podemos entender como se repete o mesmo ciclo de demolição e reconstrução.
 
 
Construído para a Copa do Mundo de 1950, o Maracanã teve a primeira reforma em 1999 para o Mundial de Clubes FIFA de 2000. Depois disso, o estádio passou pela reforma para a abertura dos Jogos Pan-Americanos para atender aos pré-requesitos necessários do evento. Mas para a Copa do Mundo de 2014, quase toda a estrutura precisou ser reformulada por conta das novas exigências.
 
Em abril de 2013 a construtora Odebrecht, envolvida em inúmeros esquemas de corrupção, entregou o Maracanã sem estar pronto após despesa de R$ 1,2 bilhão. Para atender a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de 2014 houveram inúmeras transformações: o anel superior e a marquise foram retirados, o espaço do campo e as arquibancadas encurtados, novos acessos construídos, nova cobertura e rampas. De 90 mil lugares a capacidade de torcedores foi para 78 mil.
 
Segundo o Tribunal de Contas do Estado do Rio, a reforma do Maracanã foi superfaturada em R$ 211 milhões. Dessa forma, a corrupção envolvendo megaeventos e o Maracanã é evidente e nos preocupa. Obras intermináveis no entorno já fazem parte da realidade dos moradores. Mas a questão é: até onde essas obras são eficientes ou apenas de fachada? Para onde vai o dinheiro público e o que é importante para a sociedade? Quem é responsável por administrar o estádio?
 
Após quase seis meses de concessão, a Odebrecht entregou as chaves do estádio. Desde abril, o Flamengo assumiu a gestão do Maracanã em parceria com o Fluminense. O contrato permite a posse dos times pelos próximos seis meses, com a possível prorrogação por mais 180 dias. Esse acordo determinou que a dupla vai arcar com os custos fixos do Maracanã, cerca de RS 2 milhões por mês e o pagamento mensal de R$ 166.666,67 ao governo, que deverá será repassado ao complexo do Célio de Barros e do Júlio Delamare.

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