Luiza Esteves
Repórter Mulheres Jornalistas – RJ
 
Na tentativa de fiscalizar a censura aos veículos de comunicação, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) criou o projeto CTRL + X, que consiste em mapear as tentativas judiciais movidas para a retirada de conteúdo da internet. O projeto CTRL + X já foi um dos vencedores da edição de 2017 do Data Journalism Awards, a primeira e maior premiação de trabalhos de jornalismo de dados do mundo.
 
O objetivo desse projeto é reunir dados e expor os autores de pedidos das ações judiciais contra jornalistas, para que seja possível identificar aqueles que possam, por algum motivo, coibir algum tipo de publicação informativa, de caráter político.
 
Isto porque o portal CTRL + X publica os resultados de monitoramentos de portais, como do judiciário brasileiro, por meio de leitura de processos que envolvam representantes de empresas privadas e públicas e jornalistas que, por qualquer motivo, tenham sido alvo de processos judiciais.
No início, porém, a ferramenta, criada em 2014, tinha como objetivo principal identificar os políticos que mais censuravam reportagens durante as campanhas eleitorais. Conforme o projeto foi se aprimorando, deu-se início ao monitoramento de empresas e pessoas públicas que utilizam o judiciário na tentativa de apagar informações publicadas em veículos de imprensa.
 
No portal CTRL + X, encontramos dados que nos revelam mais detalhes sobre a censura praticada atualmente contra profissionais do jornalismo. Hoje, a plataforma já conta com 4.485 registros de ações na justiça contra a divulgação de informações, e 2.907 ações movidas contra profissionais do jornalismo, somente por parte de políticos.
 
Durante as eleições de 2016, foi constatado que 55% dos pedidos judiciais movidos por políticos que pediam a retirada de certo conteúdo da internet, durante a campanha, foram deferidos. Entre esses, foram identificadas 364 tentativas de censura prévia. Nesse mesmo ano, 124 processos tinham como objetivo abster veículos de mídia de publicar algum tipo de conteúdo – 31 deles foram deferidos.
 
A partir da análise do projeto CTRL + X, constatamos que o impresso é o formato com mais ações judiciais para a retirada de conteúdo. Este dado nos revela que o jornalismo impresso ainda sofre resquícios da luta histórica pela liberdade de imprensa. O formato impresso possui 3.588 do total de processos, em segundo lugar está o audiovisual, com 890 processos, e em terceiro a fotografia, com 593.
 
O projeto CTRL + X é de extrema importância para que possamos compreender melhor como se estabelece o processo de censura no jornalismo contemporâneo e, a partir daí, criar subsídios para lutar contra esse sistema.
 
Para conferir os dados coletados pelo projeto basta acessar o site do CRL +X: http://www.ctrlx.org.br/#/infografico

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