Pandemia: Como não retroceder as conquistas das mulheres no mercado de trabalho

Por Monique Dutra- Rio de Janeiro

A igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho ainda está longe de ser atingida. Porém, não podemos negar os avanços e as conquistas das mulheres em todos os setores da sociedade, apesar das grandes diferenças persistirem. No entanto, diante do cenário da pandemia, um estudo do FMI mostrou que estes avanços podem ser perdidos. As mulheres devem ser mais prejudicadas porque trabalham em setores que foram mais afetados, como o varejo, pelo o distanciamento social. Quando falamos de informalidade, as mulheres também são as mais afetadas, pois é nesta modalidade que muitas buscam sua fonte de renda. Por outro lado, elas são “chefes” de 45% dos lares brasileiros, número que aumenta a cada ano.

Quando o assunto é liderança nas empresas, o cenário também é de desigualdade. De acordo com o IBGE, apenas 38% dos cargos gerenciais são ocupados por mulheres. Para mudar essa realidade, foi criado em 2015 o Movimento Mulher 360. Nós conversamos com Margareth Goldenberg, gestora executiva da iniciativa sem fins lucrativos.

Monique Dutra: O que é o Movimento Mulher 360?
Margareth Goldenberg: O Movimento Mulher 360 é uma organização sem fins lucrativos, um movimento empresarial que tem como missão a promoção do empoderamento feminino e a equidade de gênero no mundo corporativo.

Monique Dutra: Como surgiu a iniciativa Movimento Mulher 360?
Margareth Goldenberg: O Movimento surgiu em 2015, como iniciativa de 12 empresas fundadoras, empresas globais atuantes no Brasil, que entendiam que se houvesse um espaço organizado de trocas de conhecimento e práticas , todas poderiam avançar mais rapidamente em prol de bons resultados, já que os desafios das mulheres nas empresas, independem do segmento. Estas empresas fundadoras são: Santander, Wallmart, Coca-Cola, Unilever, J&J, Nestlé, Cargill, DelRio, Bombril, Diageo, PepsiCo e Natura. Fui contratada como consultora para estruturar esta organização, nas suas dimensões estratégica, tática e de comunicação. Lançamos formalmente, o Movimento em novembro de 2015 e depois fui convidada por estas empresas para ser a gestora executiva da organização. Atualmente, são 64 grandes empresas de todos os segmentos, que atuam juntas no entendimento dos desafios e barreiras das profissionais na jornada corporativa, criando ações intencionais que viabilizem o avanço das mulheres para liderança e condições equitativas de desenvolvimento. Atuamos em três dimensões: fomento, sistematização e disseminação de conhecimento e práticas para o avanço da equidade de gênero. Juntos construímos uma inteligência coletiva que viabiliza acelerar esta jornada das mulheres nas organizações.

Monique Dutra: Como o Movimento Mulher 360 atua?
Margareth Goldenberg: Nossa plataforma de atuação inclui encontros mensais com profissionais das 64 empresas associadas, os Diálogos entre Associados, para troca de conhecimento e melhores práticas em 12 temas anuais considerados grades gaps no tema da equidade de gênero. Em 2020, estamos trabalhando os seguintes temas: assédio e outros tipos de violência contra mulher, qual o papel das empresas?; Desafios e estratégias para atração e contratação de mulheres STEM; Raça e Gênero- como ampliar a atração, contratação e promoção de mulheres negras; Conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal das mulheres; Metas e monitoramento para equidade de gênero; Práticas de Atração, Recrutamento e Promoção de lideranças femininas; O papel dos homens na  promoção da equidade de gênero; Desenvolvimento de Lideranças-Coaching, Mentoring e Sponsorhip Interseccionalidades: Identidade de Gênero e Orientação Sexual / Gerações / PcDs; Comprometimento das lideranças empresariais e Diversidade de Gênero na Cadeia de Fornecedores. Para cada tema mensal, temos encontros, debates, trocas de práticas, podcasts, ebooks. Ainda há uma área exclusiva para associados no portal, onde as empresas podem acessar um banco de práticas virtual, com mais de 100 práticas nestes temas. Temos também um sistema de monitoramento com indicadores para a equidade de gênero.

Monique Dutra: Estão surgindo diversas iniciativas de apoio às mulheres. Por que essas ações são tão
importantes para o desenvolvimento da nossa sociedade?
Margareth Goldenberg: É fundamental a união das empresas, como é o caso do Movimento Mulher 360, e união das mulheres (em outras iniciativas) para acelerar a transformação tão necessária para que as mulheres possam avançar na conquistas pessoais e profissionais. Criando espaços coletivos de trocas, o engajamento é maior,
as empresas mais avançadas na temática iluminam o caminho a ser trilhado e o avanço é mais acelerado. Essa pauta do empoderamento feminino, que parece moderna, na verdade é muito antiga, e muitos dos nossos direitos só foram conquistados devido ao ativismo da sociedade civil, mas, como ainda estamos distantes da igualdade de
direitos e oportunidades no trabalho, a solução é continuar refletindo, agindo, iluminando caminhos, engajando lideranças e times,  e transformando juntos e juntas. Não é uma luta somente das mulheres, mas dos homens e de toda sociedade. A equidade de gênero, principalmente a interseccional , que inclui mulheres brancas, pretas, pardas, lésbicas, jovens, seniores, com ou sem deficiência, é uma questão de justiça social, um imperativo ético, mas vai além, está mais do que provado que é um diferencial competitivo para o negócio. Promovendo inovação, criatividade, valor para marca, fortalece reputação, lucratividade e produtividade, além de atrair e reter
talentos. É o correto e o certo a ser feito!

Monique Dutra: As empresas do futuro serão as que conseguirem atrair e reter a mão de obra
feminina. Mulheres empoderadas economicamente contribuem para:

  •  O fortalecimento do setor produtivo;
  • O desenvolvimento de comércios mais justos em novos mercados;
  •  Aumento na produtividade dos empregados;
  •  Crescimento na habilidade de atrair talentos;
  •  Melhoria do relacionamento com governos e órgãos reguladores;

Progressos nos resultados e na performance financeira.

Fonte: Site Movimento Mulher 360

Monique Dutra:Como as empresas podem se associar ao Movimento Mulher 360?
Margareth Goldenberg: O Movimento Mulher 360 tem como diretrizes conceituais de trabalho, os WEPS, Princípios de Empoderamento da Mulher, da ONU Mulheres e Pacto Global. Para se associar, basta entrar em contato pelo e-mail: contato@movimentomulher360.com.br

5 comentários sobre “Pandemia: Como não retroceder as conquistas das mulheres no mercado de trabalho

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