O filho não é só da mãe!

Por Bianca Neves, Advogada- RS

Editora Chefe: Letícia Fagundes, Jornalista

Como advogada e atuando a alguns anos com o Direito de Família, perdemos a conta do número de ações judiciais que ingressamos com o objetivo de fazer valer o direito de uma criança ou adolescente ao pagamento de pensão alimentícia. Em contra partida a isso, podemos numerar as vezes que atendemos em nosso escritório pais que buscam regularizar a situação de visitas, ou como nós chamamos, regularizar o direito ao convívio paterno-filial, por entenderem a importância da figura paterna para o desenvolvimento saudável da criança e/ou adolescente.

A sociedade nos traz as várias concepções de pai: o presente, o ausente, o carinhoso, o dedicado, o agressivo entre outros. Já a mãe, ao contrário do pai, vem com o seu papel bem definido (gesta, dá à luz, amamenta, cuida etc), sem opções de variações definidas na relação com a criança. Provavelmente porque ainda vivemos em uma sociedade machista e patriarcal, em que o papel do homem, por vezes é resumida ao “provedor da família”.  Entretanto, em passos lentos, vamos modificando uma visão social ultrapassada e distorcida.

Não podemos colocar sobre os ombros das mulheres toda a responsabilidade de criação de um filho sob o argumento de que ela gestou, pariu e amamentou esta criança e/ou adolescente. Isso é cruel!

A responsabilidade de criação e educação de uma criança deve ser igualmente partilhada, tanto pela mãe, como pelo pai.  Os homens precisam entender que são importantes no desenvolvimento dos seus filhos, crianças não são brinquedos que podem ser deixados de lado.

O papel e responsabilidade de um pai na vida de um filho, não é secundário.

Espera-se da figura paterna envolvimento e participação ativa na vida da criança e proximidade emocional com ela, pois, reflete diretamente no seu desenvolvimento intelectual, emocional e social.

Quando falamos em pais que não convivem diariamente com os seus filhos, por conta de divórcio ou separação da mãe da criança e/ou adolescente, é importante lembrar que alguns, não todos, limitam sua responsabilidade unicamente ao pagamento de pensão alimentícia (quando pagam). Para esses pais, devemos lembrá-los que o seu papel vai muito além do pagamento de alimentos, posts e declarações em redes sociais.

Não se nasce pai ou mãe, torna-se um. Por isso, a responsabilidade dos pais deve ser igualmente dividida.

Filho da mãe? Não, o filho não é só da mãe!

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