Luiza Esteves, Repórter do Rio de Janeiro
 
Ser músico sem vínculo com gravadora pode ser um problema para muitos artistas. Contudo, uma nova geração vem transformando essa dificuldade em oportunidade para investir na produção de músicas autorais de qualidade.
 
Diogo Bueno é músico e idealizador do projeto Vitrola, em que tem como objetivo divulgar o trabalho de novos artistas, realizar novas parcerias e incentivar a arte. “A internet proporcionou muitos benefícios para os músicos independentes e deu espaço para novos artistas. Tudo se tornou uma questão de saber trabalhar, ser insistente e saber onde divulgar seu trabalho autoral”, explica Diogo.
 
Quem costuma se apresentar nas edições do Vitrola é a cantora Ana Luiza Custódio, que é professora de musicalização infantil na escola Vivinfância. Para ela um dos desafios que enfrenta ao trabalhar com música independente é a questão financeira, pois é necessário investir na carreira e estar sempre produzindo material de qualidade.
Mas, apesar dessa dificuldade a cantora afirma sempre ter recebido apoio de amigos. “Eu tenho sorte porque tem muita gente que me ajuda de coração aberto, que acredita no trabalho e soma pra fazer acontecer, porque se não fosse assim, eu com certeza não conseguiria”, explica a artista.
 
A artista costuma se definir como “ativista” por lutar contra situações de opressão e busca incentivar outras pessoas. Ana Luiza escreve letras sobre política, injustiça social e empoderamento. Este ano, a cantora compôs uma música que aborda a violência masculina no álbum chamado “Revela a Ferida”.
 
Tiago Vaz tem 18 anos de experiência como produtor musical e 20 anos como músico. Ele cria os arranjos, ensaia com os artistas e participa da masterização do áudio. Em relação à produção das canções, Tiago menciona que atualmente existem diversas plataformas para adequar a voz e a qualidade do som, como alguns plug-ins. Cada frequência desperta determinado sentimento e, por isso, é tão importante esse trabalho.
 
Tiago frisa a importância do artista conhecer vasto repertório musical, ter uma boa percepção vocal, e entender as nuances do mercado. De acordo com o produtor, os músicos independentes devem apostar no formato audiovisual, pois as gravadoras se baseiam no número de visualizações dos vídeos para investir nos artistas.

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