O ano de 2020 não foi um ano perdido

Atípico e caótico, o ano de 2020 foi um ponto de inflexão que nos muniu de experiência e calcou as bases para lidar com desafios futuros 

Comentarista Melissa Rocha- RJ
melissa.rocha@mulheresjornalistas.com

O ano de 2020 chegou ao final, para alívio de muitos que já estavam em contagem regressiva desde a eclosão da pandemia do novo coronavírus. Mas engana-se quem pensa que 2020 foi um ano perdido. Na realidade, 2020 foi um ponto de inflexão, que trouxe consigo mudanças radicais em nosso estilo de vida e nos levou a enfrentar desafios que não estávamos devidamente prontos para encarar, mas que ficarão como experiência para os anos seguintes.

A começar pela valorização da ciência. Costumávamos pensar que detínhamos o domínio sobre qualquer tipo de enfermidade. Mesmo as que ainda não possuem cura, como a infecção pelo HIV, eram passíveis de serem, pelo menos, controladas. Ledo engano. Se há uma lição deixada pelo novo coronavírus é que no mundo existem uma miríade de ameaças à saúde humana. E isso não vale apenas para o novo coronavírus, mas também para desafios que despontam no horizonte, como, por exemplo, as infecções por superbactérias resistentes a antibióticos. Em 2020, compreendemos a fragilidade humana e aprendemos a confiar na ciência como principal forma de nos proteger. 

Outra lição deixada por 2020 foi a do ensino à distância. A ideia do ensino remoto sempre povoou a imaginação quando se pensava no futuro. A ideia de classes compostas por alunos que acessavam a distância, com dispositivos supermodernos foi, inclusive, foi retratada em muitos filmes. Em 2020, essa modalidade foi posta à prova, escancarando as inúmeras necessidades de adaptação que ainda são necessárias para que o ensino remoto seja viável. E não só isso: foi exposta a realidade da desigualdade que ainda afeta nosso país, desigualdade essa que tornou o ensino remoto excludente, quando deveria ser o oposto. Dessa forma, o ano de 2020 jogou luz nos entraves educacionais que teremos de combater na busca por um ensino mais inclusivo.   

O ano de 2020, também ensinou que o caminho da solidariedade é uma das rotas que nos leva para o fim da pandemia. Isso porque o combate à pandemia não se limita a não contrair o vírus. Ele também é sobre não se tornar um vetor da doença. Logo, ao respeitar o distanciamento social, impedimos o alastramento e protegemos, em especial, idosos e pessoas com histórico de comorbidade. Esse contexto nos leva a uma reflexão sobre que sociedade queremos ser: uma sociedade altruísta ou egoísta? Se levarmos em conta a lição deixada pela pandemia, fica claro que quanto mais altruístas e menos individualistas somos, mais evoluímos como sociedade. 

Outra lição deixada por 2020 foi a importância de calcar opiniões em fatos e dados, ao invés achismo. Com tantas notícias falsas espalhadas pelas redes sociais, a mídia reafirmou seu papel como principal e mais confiável meio de informação – vale lembrar que os veículos de comunicação vinham perdendo espaço nesse quesito para as redes sociais, conforme apontaram pesquisas divulgadas nos últimos anos. 

Por esses motivos, por mais caótico e atípico que tenha sido, o ano de 2020 não foi um desperdício. Ao contrário: foi um ano de intenso aprendizado – um tratamento de choque, por assim dizer – que nos muniu de experiência e calcou as bases para lidar com desafios maiores nos próximos anos. 

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