Por: Marta Dueñas, jornalista
E-mail: marta.duenas@mulheresjornalistas.com
Chefe de reportagem: Juliana Monaco, jornalista
Diretora de jornalismo: Letícia Fagundes, jornalista

Ano novo, vida nova. Lembra desse clichê? Acredito que 2023 é um bom ano para tirarmos ele da gaveta, assim como estamos tirando o mofo de um tempo de paralisação e retrocesso de país. A vida vai ser nova, para além de Lula: personagem central de um novo governo. Até porque esse novo governo, já na posse no primeiro dia do ano, deu as tintas de que será preciso unir, reconstruir e criar um novo pacto social para recuperar o Brasil.

Depois da virada de copos, de caras (nas festas familiares) e de folhinha de calendário, interessados e interessantes assistiram a uma das solenidades de posse presidencial mais simbólicas de uma nação. Essa não é apenas a minha opinião, as expressões utilizadas pela imprensa nacional e internacional dão conta disso: “emocionante, linda, humana, social, democrática”. O presidente eleito recebe a faixa presidencial das mãos do povo, representado por um grupo de pessoas que foram invisibilizadas e sufocadas não só pela covid mas pela política higienista da extrema direita que perdeu o pleito.

A força desse ato é evidente pela representatividade internacional recorde, o impacto imenso nas redes sociais, pelo público presente, que superou atos antidemocráticos ou o próprio 7 de setembro, pelas ações inéditas como a passagem da faixa, a presença de uma cachorrinha na rampa e por fatores menos estatísticos como as lágrimas e sorrisos que fizeram parte do palco e dos discursos.

Para se ter uma ideia, segundo o Itamaraty, o ato contou com 70 delegações estrangeiras, 19 chefes de Estado, quatro primeiro ministros e uma primeira dama, além de vice-presidentes, ministro de Estado, chefes de missões diplomáticas e representantes de organizações internacionais. O número supera o de autoridades estrangeiras que vieram ao Brasil para os Jogos Olímpicos de 2016, e também supera a presença na posse do antigo presidente.

Pessoas de diversos cantos do Brasil se deslocaram em meio às festas de final de ano para acompanhar o ato em Brasília. Segundo o Gabinete de Segurança, a posse teve aproximadamente 200 mil pessoas enquanto o ato de posse daquele que foi derrotado nas urnas teve, aproximadamente, 115 mil pessoas. Os métodos de contagem são diferentes entre os veículos de comunicação e equipes de segurança, mas as imagens não mentem, o ato de 01 de janeiro de 2023 teve público superior a posses anteriores, incluindo do próprio Lula e até mesmo do ato de 7 de Setembro promovido pelo “imbrochável”, que brochou ao perder nas urnas e não compareceu à transmissão da faixa presidencial.

E eis aí um fato curioso e inédito: o ex-presidente Bolsonaro, ainda na sua função de chefe de nação, viajou a Orlando, nos Estados Unidos, e não foi à celebração de transmissão de cargo. Tal desaforo abriu espaço para que o protocolo ganhasse novos ares. Em vez de uma autoridade passar a faixa a outra, pessoas representando a nação brasileira o fizeram numa dança majestosa em que a faixa vai das mãos de uma criança para um idoso, de uma pessoa com deficiência a um artesão, de um indígena a uma mulher, negra e catadora, que, por fim, coloca a faixa no eleito da Nação. (leia mais sobre a posse na matéria da jornalista Natália Bosco para IMJ clicando aqui).

Essa posse tão forte, como já mencionei, é o inicio de uma fase de esperanças renovadas para milhares de brasileiros e para a comunidade internacional, e dá início a primeira semana de um novo momento no país. Logo após a cerimônia, em seu primeiro dia de governo, Lula assina 52 decretos e quatro medidas provisórias. Além de criar a nova estrutura administrativa do governo federal e dar posse aos ministros, o Presidente recria o Bolsa Família no valor de R$ 600; reestrutura a política de controle de armas; combate o desmatamento na Amazônia, revoga a norma que permitia e legalizava o garimpo na Amazônia, recria o Fundo da Amazônia, determina o fim do sigilo de 100 anos para temas importantes como vacinação contra covid, despesas em cartão corporativo e outros, assina a proposta que tira Correios, Empresa Brasileira de Comunicação e Petrobrás do balcão de privatizações impostas pelo antigo governo e dá prazo de 45 dias para criação de uma nova regulamentação do Conselho Nacional do Meio Ambiente, entre outras pautas fundamentais.

A agenda do Presidente da República volta a ficar disponível no site do Planalto e a ocupar os primeiros horários da manhã. Em contraste com o antigo gestor, Lula tem uma semana cheia de compromissos que vão desde agendas com líderes internacionais até a primeira reunião ministerial. Esse novo momento do país, e me permito repetir a palavra novo, é a retomada de uma gestão com ritmo forte, visão plural, experiência e inovação e também de diversidade. Novo é isso na política. Quando alguém insiste em vender ao eleitor algo que não se vende: é preciso estar atento. Quando um grupo cria a falsa ideia de que é preciso eleger o novo, referindo-se a caras desconhecidas ou supostos profissionais de gestão capazes de tirar o país de uma crise, lembre-se que faz tempo que não precisamos de mitos, salvadores de pátria ou caçadores de Marajá. O Brasil precisa de gente. O Brasil precisa de pacto. Novo é fazer diferente, incluir e participar.

O novo governo vem nesse fluxo. Um governo que fala, um governo que dança, um governo que chora, um governo que sente. Assim começa o chamado “Lula 3”. A nova gestão é muito maior que um nome. É feita de Aline, Raoni, Ivan, Weslley, Murilo, Francisco, Jucimara e Flavio. O governo é feito de gente e também de bichos como a Resistência que subiu a rampa para dar espaço a todas as espécies.

Essa é uma gestão que promete e eu, como tantos, estou torcendo que entregue tantas políticas públicas e programas quantos os que foram destruídos pelo governo anterior. Mas não estarei apenas na torcida, sou mão onde houver construção e serei voz onde houver silêncio. Participante, cobrando, cobrindo. Como tantos, representando algo, desde o meu ofício e pela minha missão.

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