“Carta Aberta” transforma leitura coletiva em manifesto climático em Curta-Metragem

Crianças, mulheres, homens e povos indígenas de diferentes regiões do Brasil se unem diante da câmera para ler uma carta que não é apenas texto, mas é alerta. O curta-metragem “Carta Aberta: Eu Sou Você no Futuro Climático” propõe uma reflexão urgente sobre a crise climática a partir de uma linguagem que cruza jornalismo, cinema e intervenção simbólica.

Com cerca de oito minutos de duração, o filme reúne vozes do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, sertão nordestino e Amazônia. A narrativa se constrói a partir da leitura performativa de uma carta escrita como se fosse enviada para o futuro, que é ainda marcado por enchentes, queimadas, desmatamento e eventos extremos que já impactam o cotidiano do país, porém faz uma crítica a política que se interessa por outros enredos enqaunto o mundo queima ou inunda.
Segundo a diretora Letícia Fagundes, a escolha pela carta como eixo narrativo foi intencional.
“A carta é uma forma íntima de comunicação, mas aqui ela se torna coletiva. É como se o futuro estivesse nos escrevendo agora. Parece que seguimos do mesmo jeito, essaé a ideia pelo comportamento político. Queríamos que cada voz representasse um território e uma geração, mostrando que a crise climática não é abstrata, ela tem rosto, tem corpo, tem memória”, afirma.
O filme utiliza imagens documentais de desastres ambientais e contrapõe esses registros ao ambiente político institucional, criando um diálogo entre a população que sofre os impactos e os espaços de poder onde decisões são tomadas.
A edição não organiza apenas imagens, mas constrói sentido.Práticas da editora premiada em direitos humanos Carmen Alineri que ficou responsável pelo coapoio de edição, enquanto montagem e edição majoral ficou com a editora Carolina Dolacio. Foi trabalhado para que a carta não fosse apenas narrada, mas sentida pelo público. A sobreposição de vozes, os silêncios e o contraste com os plenários reforçam a ideia de que estamos diante de avisos ignorados há décadas. A coprodução ficou com o jornalista premiado, André Silva.
A obra se posiciona como um curta-metragem híbrido, combinando linguagem jornalística e construção simbólica para provocar reflexão e mobilização social. No desfecho, a presença de corpos indígenas nos espaços institucionais reforça o protagonismo dos povos originários na defesa da vida e do território.
Mais do que denúncia, “Carta Aberta” propõe um gesto coletivo de responsabilidade.
“Não queríamos apontar apenas o problema, mas lembrar que ainda existe possibilidade de escolha. O futuro não é inevitável. Ele é construído agora”, conclui Letícia.
O curta já está pronto ára ser visualizado e integra o catálogo de produções do Instituto Mulheres Jornalistas e reafirma o compromisso da instituição com narrativas que articulam direitos humanos, memória e justiça climática.

