A diversidade chega ao Oscar

Por Giulia Ghigonetto, Jornalista-SP
giulia.ghigonetto@mulheresjornalistas.com

Chefe de Reportagem: Juliana Mônaco

Editora Chefe: Letícia Fagundes, Jornalista- RS

Em ano de salas de cinema fechadas, o streaming domina indicações com maior representatividade feminina, negra, asiática e muçulmana

 

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou, na última segunda-feira (15), os indicados ao Oscar 2021, que acontecerá dia 25 de abril. Em um ano atípico, a lista não surpreendeu os cinéfilos de plantão, mas chamou a atenção pela preocupação com a diversidade. 

Além de impulsionar as plataformas de streaming (a Netflix recebeu 35 indicações e a Amazon Studios, 12), a pandemia do coronavírus também abriu espaço para obras mais independentes, já que as produções maiores dos grandes estúdios foram paralisadas devido às restrições sanitárias. Desse modo, a lista de indicados dessa edição é uma das mais diversas da história. 

Em melhor filme, entre os oito indicados, três têm protagonistas não brancos (Judas e o Messias Negro, Minari e O Som do Silêncio) e dois são protagonizados por mulheres (Nomadland e Bela Vingança), sendo que grande parte deles fala sobre a experiência de minorias étnicas e de gênero nos Estados Unidos.

No total, nove atores não-brancos foram indicados, estabelecendo um recorde de diversidade nas categorias de atuação do Oscar: Leslie Odom Jr. (Uma Noite em Miami), Lakeith Stanfield e Daniel Kaluuya (ambos por Judas e O Messias Negro), para ator coadjuvante; Chadwick Boseman (A Voz Suprema do Blues), Steven Yeun (Minari) e Riz Ahmed (O Som do Silêncio), para melhor ator; Yuh-Jung Youn (Minari), para atriz coadjuvante; Andra Day (Estados Unidos Vs Billie Holiday) e Viola Davis (A Voz Suprema do Blues), para melhor atriz.

Com isso, Davis alcançou o patamar de atriz negra com mais indicações ao prêmio, totalizado quatro, sendo duas como coadjuvante e duas como protagonista. Nessa última se tornou pioneira, já que é primeira atriz negra a ser indicada duas vezes para Melhor Atriz.

O britânico e muçulmano Riz Ahmed é o primeiro ator de origem paquistanesa a receber uma indicação. Já Steven Yeun, conhecido como o Glenn na série The Walking Dead, é o primeiro americano de origem asiática a ser indicado para melhor ator. Também do elenco de Minari, aos 73 anos, Yuh-Jung Youn se tornou a primeira atriz sul-coreana a receber uma indicação. O diretor do filme, Lee Isaac Chung, é o primeiro diretor de origem asiática nascido nos Estados Unidos a concorrer a estatueta. 

Maria Bakalova, de Borat 2: Fita de Cinema Seguinte é a primeira atriz búlgara a concorrer para atriz coadjuvante. Em paralelo, pela primeira vez, duas mulheres concorrem ao mesmo tempo na categoria de melhor direção: Chloé Zhao por Nomadland e Emerald Fennell por Bela Vingança, sendo essa a primeira mulher estreante a entrar na lista de direção. Chinesa, Zhao também é a primeira mulher não branca a disputar a estatueta na categoria. As duas são apenas a sexta e a sétima mulheres na história a concorrer por direção no prêmio. Chloé também é a primeira mulher a concorrer em quatro categorias no mesmo ano: filme, direção, edição e roteiro adaptado.

A protagonista de Nomadland, Frances McDormand também está fazendo história nessa edição. Pela primeira vez, uma mulher concorre como protagonista e produtora de um mesmo longa que disputa na categoria de melhor filme. Em termos de produção, Judas e O Messias Negro é o primeiro longa com uma equipe de produção totalmente negra a ser indicado para melhor filme. E Mia Neal e Jamika Wilson (A Voz Suprema do Blues) se tornaram as primeiras mulheres negras indicadas na categoria de melhor cabelo e maquiagem.

 

Compromisso

Depois de dois anos em que a hashtag #OscarsSoWhite dominou as redes socais sobre a premiação, a Academia resolveu se comprometer e diversificar seus membros, passando de 25% de mulheres em 2015 para 33% em 2020 e de 10% de não brancos em 2015 para 19% em 2020. É possível que as indicações deste ano sejam um reflexo disso – e também da produção mais diversificada. Embora não signifique necessariamente que a paridade de gênero e cor tenha sido alcançada, é possível que isso tenha se refletido nas indicações deste ano.

No ano passado, a organização anunciou novas exigências para que produções sejam indicadas à categoria de melhor filme do Oscar a partir de 2024. As medidas fazem parte de um plano para aumentar a diversidade da indústria. Longas que quiserem concorrer à principal categoria do Oscar devem atender pelo menos dois dos quatro critérios:

 

  • Ter membros de minorias, como negros ou latinos, em papéis de protagonistas ou coadjuvantes, ou 30% do elenco composto por grupos pouco representados, ou narrativa principal focada nestes grupos;

 

  • Ter um número determinado de membros de grupos pouco representados, como mulheres ou pessoas com deficiência, em cargos de liderança ou 30% da equipe geral formada por membros destes grupos;

 

  • Oferecer cargos pagos de estágio ou de aprendizado para membros de grupos pouco representados nos estúdios, distribuidoras e produtoras, além de vagas de oportunidades de desenvolvimento de habilidades e de treinamento para membros destes grupos em cargos menores na equipe de produção;

 

  • Ter cargos de liderança nos estúdios e/ou produtoras preenchidos por membros de minorias ou grupos pouco representados nas equipes de marketing, distribuição e/ou publicidade.

As exigências serão observadas a partir de fiscalizações das gravações e do diálogo entre a Academia e cineastas e distribuidoras.

 

1 comentário em “A diversidade chega ao Oscar

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