O bem que um pet faz

Diante de todos os benefícios que cuidar de um pet proporciona é tempo de refletir sobre nossa convivência ética com eles

Por Rita Santos- Santa Catarina
rita.santos@mulheresjonalistas.com

O sucesso das terapias que usam animais como ferramenta para desenvolver e melhorar as condições físicas, sociais, emocionais e cognitivas das pessoas comprovam que conviver com animais de estimação favorece a saúde humana em todos esses níveis.

Animais de estimação fazem parte da vida de pessoas ao redor do mundo todo, e muitas vezes essa relação nem é questionada, para alguns fica estabelecido que além do próprio clã familiar a casa tem que ser composta por um pet para ser um lar. 

A qualidade de vida que o ritual de cuidar de um animalzinho em casa proporciona vai desde se livrar do sedentarismo até mesmo melhorar a respiração, reduzir a frequência cardíaca e a pressão arterial.

O poder que há na relação entre seres humanos e animais é registrado desde tempos primitivos, em que animais já eram usados como meio de transporte, ajudavam nas caçadas e protegiam a moradia. Estudos dizem que os restos de comida que eles recebiam em troca dessa dedicação criou laços com os seres humanos que perduram até hoje, e assim eles foram sendo domesticados. 

Decidir adotar um animal de estimação pode salvar a vida de um doente, e ser responsável pela vida de outro ser pode dar sentido à vida de um idoso e um novo horizonte para quem está deprimido.

Crianças que têm a chance de conviver com um animal de estimação se mostram pessoas mais sensíveis, com maior senso de responsabilidade, compreendem mais as coisas sobre a vida e lidam melhor com perdas e mudanças.

E em meio ao caos de todas as novidades que a crise sanitária impôs, verificamos um aumento de 50% no número de adoção de animais abandonados durante o período de isolamento físico. A solidão é de longe o motivo mais comum para as pessoas barganharem carinho em troca de alguns cuidados com o animal.

Mas olhar para os pets como se eles fossem coisas com funções previamente definidas só faz aumentar as notícias sobre pessoas que foram multadas por maus tratos, por abandono ou por estimularem rinhas entre galos e cães. 

Participar da ideia de família multiespécie tem nos tornado seres mais individualistas com cada vez menos contato com outros seres da mesma espécie que a nossa. É curioso ver a forma como a indústria do entretenimento reforça esse conceito caracterizando os animais como se fossem gente. No universo da fantasia animais falam e agem como pessoas. Mas animais não são pessoas, são animais e merecem viver como animais, ter uma vida digna e tranquila. 

Animais têm leis federais que estabelecem medidas de proteção para eles e leis que tratam de crimes ambientais que incluem proteção contra maus tratos, mas o núcleo jurídico não deveria ser a única esfera ética pela qual respeitamos os aspectos mínimos da existência de um animal. 

Acredito que ainda não estamos prontos para esta conversa, porém temos que rever o papel social dos animais de estimação na vida do homem. Ainda que o pet receba um sobrenome de família, seus tutores devem retribuir a lealdade com a qual lhe fazem companhia, fazem sua guarda pessoal e protegem a casa simplesmente permitindo-lhes serem animais, sem cuidar deles como bebês ou usá-los como bibelôs.

Deixando de lado sentimentos que transcendem os limites do amor e carinho, não julgo se é certo ou errado a forma como cada um trata seu animal de estimação, entretanto, tudo o que estamos vivendo atualmente causa uma verdadeira reflexão sobre como estamos no mundo. 

Depois de atravessarmos esse momento todo, anseio vislumbrar um cenário em que humanos emocionalmente amadurecidos experimentam todos esses benefícios que a convivência com animais de estimação proporciona em troca de cuidados que também atendem às necessidades do animal, e não só as do tutor.

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