Os desafios do ensino a distância durante a quarentena

Por Mirian Romão-São Paulo

Desde o início da pandemia causada pelo novo coronavírus, os comércios e escolas foram fechados e adotamos o isolamento social para evitar que o vírus se espalhe.
Para alguns estudar a distância não é uma tarefa fácil, principalmente para as crianças, que gostam de se relacionar na escola e brincar.

Algumas escolas e universidades preferiram antecipar as férias e se preparam para estruturar melhor o ensino a distância. Escolas públicas estão tendo aulas virtuais, com material enviado às casas dos alunos pelo Correios ou transporte escolar. Montaram grupos de WhatsApp com alunos e professores, trocando vídeos, áudios e mensagens sobre as atividades.

O ensino a distância (EAD) tinha um foco maior na educação superior aqui no Brasil, contudo, por conta da necessidade, passamos a adotar o ensino a distância também para as crianças. Segundo o Censo de Educação Superior, realizado pelo Inep, órgão do Ministério da Educação, em 2018, pela primeira vez na história, o número de vagas ofertadas em cursos universitários à distância foi maior do que o número de vagas em cursos presenciais, conforme reportou o Uol.

Especialistas em educação temem que estudantes de redes ou escolas menos estruturadas, acabam perdendo conteúdo ou a motivação em estudar futuramente.

A grande dificuldade das universidades e escolas é se adaptarem à nova realidade, cerca de 38 universidades federais decidiram não usar aulas a distância durante a quarentena, as instituições declaram não ter condições de ofertar atividades com a mesma qualidade que o ensino presencial e garantir que todos os estudantes tenham acesso ao conteúdo.

Segundo a Folha de São Paulo, os professores afirmaram que a orientação para o EAD mostra desconhecimento da realidade da estrutura e da composição do corpo estudantil das universidades.
Cerca de 60% das instituições da rede federal preferiram suspender o calendário acadêmico enquanto durar o isolamento da pandemia.

A estudante de Psicologia, Viviane Nogueira, contou um pouco sua experiência sobre a adaptação das suas aulas presenciais para o ensino a distância.

Coletivo Mulheres Jornalistas: O EAD já fez parte da grade curricular da sua universidade?
Viviane: Em todo semestre temos uma matéria em EAD (que nunca é levada a sério, diga-se de passagem).

Coletivo: Como está sendo a experiência com todas as disciplinas em EAD?
Viviane: Horrível. A qualidade cai muito e o conteúdo parece muito superficial. A sensação é que os professores estão correndo pra terminar logo o conteúdo sem se preocupar se estamos entendendo ou não.

Coletivo: Está tendo dificuldade com as aulas?
Viviane: Muito difícil focar, justamente porque as aulas são massantes (só slides ou explicações superficiais).

Coletivo: Qual a maior diferença que você sentiu nas aulas on-line e presencial?
Viviane: A qualidade do ensino e a maior quantidade de conteúdo e trabalho sendo jogado em cima dos alunos.

Coletivo: Acha que o aprendizado rende com as aulas on-line até mesmo para as escolas de ensino base?
Viviane: Se todas estiverem no modelo que a UNIP está, não rende. Eu aprendo muita coisa online, mas a metodologia da universidade que eu estudo e outros amigos, segundo relatos, é muito ruim, e acaba valendo a pena estudar sozinha.

Coletivo: Como tem sido sua rotina de estudos com as aulas EAD?
Viviane: Não tenho estudado, tenho pensado em trancar (inclusive, já vi algumas pessoas que estão trancando pelo mesmo motivo).

Coletivo: Quais pontos de melhoria podemos ter nas aulas a distância?
Viviane: Deveria ser desenvolvida uma metodologia pensando no ensino online, numa dinâmica melhor, e um planejamento diferente pro conteúdo. Ninguém quer passar a manhã toda vendo slides, principalmente num curso de psicologia que lidamos com pessoas, emoções, traumas…

Coletivo: Você acha melhor suspender o calendário acadêmico nessa pandemia ou ter o EAD?
Viviane: Eu gostaria muito que fosse suspenso. No fim do curso vou precisar estudar todo esse semestre de novo porque não aprendi nada com profundidade (e tem matérias que nem podem ser passadas online, então só não teremos).

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