Desempregados procuram meio de empreender durante a pandemia

Por Mirian Romão- São Paulo

A pandemia causada pelo novo coronavírus trouxe uma crise mundial que deixou um total de 12,8 milhões de pessoas desempregadas no Brasil, com isso, muitos tiveram que se reinventar para criar uma fonte de renda.

Além da luta para conseguir o auxílio emergencial do governo, as pessoas buscam empreender para ter uma renda. Desde o início da pandemia, quando o Ministério da Saúde passou a recomendar o uso de máscara na rua e no transporte público, o número de pessoas confeccionando máscara cresceram.

A principal fonte de divulgação são as redes sociais, pessoas estão procurando vender máscaras confeccionadas já que no início da pandemia, em fevereiro, as máscaras descartáveis chegaram a ficar em falta.

De acordo com o GZH, uma enfermeira que estava desempregada, começou a fazer as máscaras como proteção individual, pois trabalhava com artesanato e decoração de festas infantis. Entretanto, as máscaras confeccionadas viralizaram tanto que virou a sua principal fonte de renda.

Segundo Janaína, a oportunidade apareceu quando começou a divulgar peças de enfeite de Páscoa nas redes sociais, nisso as pessoas entravam em contato para pergunta se ela fazia máscara ou se estava vendendo.

O uso da máscara não era comum no Brasil, mas por conta da pandemia da covid-19 adotamos o uso diário nas ruas e comércios. Culturalmente as máscaras eram associadas apenas aos países asiático como China e Japão.

Entretanto, esse novo hábito pode ser adotado até mesmo depois da pandemia. As pessoas passaram a entender que cobrir o rosto é uma forma de demonstrar que você está se esforçando para não espalhar o vírus.

A esperança de muitos é que a venda das máscaras possam ajudar nas contas no final do mês, pois mais de 10 milhões de brasileiros não conseguiram ter acesso ao auxílio emergencial do governo.

A Ana Clécia Galdino, em entrevista para o Coletivo, comentou que passou pela mesma situação que muitos brasileiros nesta pandemia. Ela tinha acabado de se mudar de volta para São Paulo quando o isolamento começou.

Ana afirma que ela e o marido estavam desempregados, seu marido trabalha com aplicativo de corridas e com o isolamento social as corridas diminuíram.

“A gente quase entrou em desespero. Porque não tinha como sair para procurar um emprego ele também não conseguia levantar dinheiro com o aplicativo porque as pessoas não estavam usando”, afirma Ana.

Com a ajuda da mãe e da irmã que trabalha com costura, Ana começou a confeccionar máscaras para vender. Sua irmã explicou todo o processo e detalhes para fazer a máscara e deu os materiais necessários para que Ana conseguisse iniciar o trabalho e vender as máscaras.

“Graças a Deus consegui ganhar e vender, na primeira semana foi bem tranquilo. Consegui fazer uma remessa, a primeira remessa eu vendi bem e foi aí que tivemos a ideia de começar a passar para o pessoal conhecido, para amigos e parentes para conseguir ver se ia entrando mais pedidos. O primeiro mês foi maravilhoso. Graças a Deus, deu pra gente levantar um bom dinheiro. Mas não é aquela coisa que dá para viver só com isso”.

Após o Ministério da Saúde obrigar o uso de máscara em transporte público e nas ruas, as pessoas que estavam buscando um meio de ganhar alguma renda, passaram a confeccionar máscaras.

“Foi uma coisa que salvou, mas ao mesmo tempo não foi muito bom porque não dava para sobreviver só com isso. Foi um quebra galho, ajudou bastante porque a gente estava dependendo de tudo dos outros e do dinheiro da máscara”, declara Ana.

Atualmente a venda das máscara está fraca, comenta Ana, a divulgação é só no boca a boca e na placa que está em frente de sua casa.

Entretanto, recentemente ela conseguiu o auxílio emergencial do governo e seu marido, com a flexibilização da quarentena, voltou a trabalho com o aplicativo de corrida.

“Minha família é grande somos em cinco, minha filha mais nova tem três anos vai fazer 4 em setembro e o mais velho tem 13. Estamos passando por isso juntos, com fé em Deus tudo vai passar, vamos ficar firme e forte com outra visão da humanidade. Porque eu acho que Deus deu isso para que a gente aprenda a ser mais humano e que a gente possa aprender a ver o lado dos outros”. 

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