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Onde estão as mulheres na transformação digital?

Por Monique Dutra- Rio de Janeiro

O mundo está cada vez mais digital. As tecnologias já transformaram a forma como fazemos ações cotidianas.

Apesar de todos serem impactados por esse movimento, é cada vez mais evidente que meninas e mulheres ainda não ocupam o protagonismo necessário na área tecnológica.

Um levantamento recente da Softex
mostrou que as mulheres são minoria em posições estratégicas, técnicas e
diretivas nas organizações que trabalham com tecnologia, além de ocuparem menos de 20% desse mercado de trabalho.

Por que a equidade de gênero é importante? 

De acordo com dados do McKinsey Global Institute, o avanço na equidade de participação de mulheres pode contribuir para aumentar em US$ 12 trilhões o Produto Interno das
nações até 2025. No Brasil, segundo uma pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontou que diminuir as diferenças de gênero poderia aumentar o PIB em 3,3%.

Na edição de hoje do “Mulheres Incríveis e Possíveis” aqui no Mulheres Jornalistas conversamos com Júnia Ortiz, embaixadora e comandante do evento Women in Data Science (WiDS), que aconteceu recentemente em Salvador, na Bahia.

Ela é uma das vozes femininas do setor que busca fazer a diferença para que mais mulheres possam ocupar esses espaços.

Quem são as principais vozes femininas na área e o que elas
trazem de novo?  

Existem muitas mulheres trabalhando na área de Ciência de Dados espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Elas estão em todos os ambientes, da academia à indústria. Abrimos o evento com a Gabriela de Queiroz, cientista de dados e gerente sênior na
IBM Califórnia.

A Gabriela é brasileira e lidera o desenvolvimento de projetos de código aberto em Inteligência Artificial. Também recebemos a Daniela Claro, doutora em Ciência da Computação, pesquisadora e professora na
Universidade Federal da Bahia. São inúmeras referências. No cenário
internacional, os principais nomes femininos estão frequentemente inseridos no projeto da iniciativa global na Universidade Stanford.

Qual é a importância da iniciativa
para o mercado dedados? 

A iniciativa tem como objetivo inspirar e educar cientistas de dados, homens e mulheres, ao redor do mundo, dando suporte e visibilidade para as mulheres que trabalham na
área. Por ter uma proposta também educacional, o projeto promove ampla circulação do que tem de mais novo sendo desenvolvido no campo.

Além disso, integra cientistas de dados de diversas partes do mundo e coloca em evidência as necessidades e recursos disponíveis para o mercado atual, cada vez mais dependente da capacidade de interpretação e utilização de grandes conjuntos de dados que todas as empresas e pessoas tem produzido cotidianamente.   

 Qual é o cenário do mercado dedados no Brasil? 

Está em ascensão e é bastante promissor. As grandes empresas têm
cada vez mais demanda por profissionais capazes  de  extrair
informações essenciais dos dados produzidos tanto no que diz respeito à compreensão de seus clientes, quanto à produção interna, isso tudo é importante para viabilizar e
otimizar recursos.

Existe um grande mercado na área de tecnologia trazido
principalmente por empresas como as fintechs (sistema financeiro),
edtechs (educação), martechs (marketing), adtechs (publicidade) etc.

Atuei alguns anos na área de dados no mercado de tecnologia para publicidade,
trabalhando na Zygon, Adtech brasileira, e tive a oportunidade de entender a importância da utilização dos dados para a comunicação estratégica de forma geral. Os dados são a matéria-prima deste
tipo de negócio.

Como é o mercado
para as mulheres?

As mulheres são minoria, como em todas as áreas de STEM – Science, Technology, Engineering and Math
– Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. No Brasil, cientistas mulheres ocupam 49% entre todos os pesquisadores. Na área de tecnologia, no entanto, apenas 20% dos profissionais são mulheres, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE.

Além disso, elas representam apenas 25% dos graduados nas áreas de tecnologia nos últimos anos. Esse número cai ainda mais quanto mais alta a hierarquia dentro das empresas. Existem sim mulheres em cargos de liderança, mas são também minoria.

 O mercado de tecnologia sempre foi muito fechado e masculino. Pode nos contar como as mulheres
conseguiram conquistar esses espaços? 

Iniciativas de apoio e visibilidade à participação feminina nas áreas de tecnologia tem representado importante papel no combate à disparidade de gênero no mercado de trabalho relacionado a todas as áreas de STEM – Science, Technology, Engineering and Math – Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

Assim como o Women in Data Science, várias iniciativas, projetos e comunidades como o R Ladies, PyLadies, AI Inclusive, dentre outros, têm, com toda certeza, proporcionado inspiração para novas
mulheres atuarem nestes espaços e oferecido redes de suporte para as mulheres que já estão no campo, o que sem dúvida favorece a conquista
desses espaços por mulheres.  

 Quais são as próximas tendências do setor? Pode destacar três tendências do setor que foram abordadas no evento? 

Inteligência Artificial, Aprendizado de máquina e Processamento de linguagem natural.

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1 comentário

  1. Oi Monique, boa tarde.

    Legal você falar sobre o assunto. As mulheres são minoria sim, mas é preciso entender que isso é um processo histórico de transformação, ao qual estamos galgando passos largos, começando lá no direito ao voto, acontecido a pouco menos de 150 anos, por exemplo. Faço parte de um Grupo de Estudos de Comunicação, Tecnologia e Política da UnB aonde debatemos e estudamos o tema inteligência artificial, evolução dos dados, linguagem. Estamos a disposição. Parabéns pelo artigo.

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